Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico Clínico e Critérios CDC

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2024

Enunciado

Mariana, 43 anos, apresentou dor intensa em fossa ilíaca direita, com secreção vaginal. A principal hipótese diagnóstica foi doença inflamatória pélvica (DIP). Com relação a DIP, podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico da DIP depende de exames complementares como ultrassonografia, ressonância de pelve ou laparoscopia.
  2. B) São considerados critérios maiores de DIP: temperatura axilar >38,3º C, secreção vaginal/cervical anormal e velocidade de hemossedimentação (VHS) ou proteína C reativa (PCR) aumentados.
  3. C) No caso da paciente ser usuária de dispositivo intrauterino (DIU) ele deverá ser obrigatoriamente retirado antes de se iniciar o tratamento.
  4. D) O diagnóstico da DIP é iminentemente clínico devendo basear na soma de 3 critérios mínimos acrescido de um diagnóstico adicional de acordo com CDC (Center for Disease Control and Prevention).

Pérola Clínica

Diagnóstico de DIP = 3 critérios mínimos (dor abdominal baixa, sensibilidade colo/anexos) + 1 critério adicional (febre, secreção, ↑VHS/PCR).

Resumo-Chave

O diagnóstico da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é predominantemente clínico, baseado nos critérios do CDC, que incluem dor abdominal baixa, sensibilidade à mobilização do colo e anexial, somados a critérios adicionais como febre, secreção anormal ou marcadores inflamatórios elevados. Exames complementares são para casos atípicos ou complicações.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba infecções do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite, abscesso tubo-ovariano e peritonite pélvica. É uma condição comum, especialmente em mulheres jovens e sexualmente ativas, e sua importância reside nas potenciais sequelas reprodutivas, como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. O diagnóstico da DIP é eminentemente clínico, conforme as diretrizes do CDC. Ele se baseia na presença de três critérios mínimos (dor abdominal baixa, sensibilidade à mobilização do colo uterino e sensibilidade anexial) e pelo menos um critério adicional, que pode ser temperatura oral >38,3°C, secreção vaginal ou cervical mucopurulenta anormal, elevação da VHS ou PCR, ou documentação laboratorial de infecção cervical por N. gonorrhoeae ou C. trachomatis. A prontidão do diagnóstico e tratamento é crucial para minimizar as sequelas. O tratamento da DIP é empírico e deve cobrir os principais patógenos, como N. gonorrhoeae, C. trachomatis e bactérias anaeróbias. A escolha do esquema antibiótico depende da gravidade do quadro e se o tratamento será ambulatorial ou hospitalar. A remoção de um dispositivo intrauterino (DIU) não é rotineiramente necessária no início do tratamento, a menos que não haja melhora clínica. A educação sobre saúde sexual e prevenção de ISTs é fundamental para reduzir a incidência de DIP.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios mínimos para o diagnóstico clínico de DIP?

Os três critérios mínimos são dor à palpação abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial (sensibilidade anexial), todos presentes no exame físico.

Quando exames complementares como ultrassonografia são indicados na suspeita de DIP?

Exames complementares são indicados para confirmar a presença de abscesso tubo-ovariano, excluir outros diagnósticos diferenciais (como apendicite ou gravidez ectópica) ou em casos de DIP grave ou refratária ao tratamento inicial.

O uso de DIU requer sua remoção imediata em caso de DIP?

Não necessariamente. A remoção do DIU não é obrigatória no início do tratamento da DIP, especialmente se houver melhora clínica com a antibioticoterapia. A decisão de remover o DIU deve ser individualizada.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo