SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Uma paciente de 65 anos, sabidamente portadora de esteatose hepática há muitos anos, mas sempre com enzimas hepáticas e elastografia dentro da normalidade, procurou o médico com queixas de desconforto abdominal. Usava metformina para tratamento de Diabetes e reposição hormonal para tratamento de síndrome climatérica. USG mostrou uma lesão nodular em lobo direito do fígado, e a tomografia contrastada relatou uma lesão de 7,2 cm de diâmetro no lobo direito, com realce na fase arterial e clareamento na fase portal com formação de pseudocápsula. Não havia esplenomegalia nem sinais de hipertensão portal. Sabendo que o valor da alfafetoproteína era 28 ng/ml (VN até 8,0 ng/ml), assinale a alternativa CORRETA com relação ao diagnóstico da lesão.
Lesão hepática com realce arterial e washout portal + AFP elevada em paciente com esteatose → forte suspeita de HCC, mas biópsia pode ser necessária sem critérios LI-RADS completos.
Em pacientes com fatores de risco para HCC (como esteatose hepática, que pode evoluir para cirrose), achados de imagem típicos (realce arterial e washout portal com pseudocápsula) são altamente sugestivos. No entanto, a alfafetoproteína (AFP) isolada não é diagnóstica, e sem a confirmação de cirrose ou outros critérios LI-RADS, a biópsia é frequentemente indispensável para lesões grandes.
O Carcinoma Hepatocelular (HCC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e geralmente ocorre em pacientes com doença hepática crônica subjacente, como cirrose (causada por hepatites virais, doença hepática alcoólica ou esteatose hepática não alcoólica - NASH). O diagnóstico precoce é crucial para o tratamento e prognóstico. A incidência de HCC está crescendo devido ao aumento da prevalência de NASH globalmente. O diagnóstico de HCC baseia-se principalmente em achados de imagem característicos (realce arterial e washout portal) em pacientes com cirrose, conforme os critérios LI-RADS. A alfafetoproteína (AFP) pode ser um marcador auxiliar, mas não é diagnóstica por si só. A fisiopatologia envolve a progressão da inflamação crônica e fibrose para cirrose, criando um ambiente propício para a transformação maligna dos hepatócitos. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco e lesões nodulares no fígado. O tratamento do HCC varia desde ressecção cirúrgica e transplante hepático para estágios iniciais, até terapias locorregionais (ablação, quimioembolização) e sistêmicas para estágios avançados. O prognóstico depende do estágio da doença e da função hepática subjacente. É fundamental que residentes compreendam a abordagem diagnóstica escalonada e a importância de não pular etapas, especialmente a biópsia quando os critérios não invasivos não são totalmente preenchidos, para evitar erros diagnósticos e garantir o manejo adequado.
Os achados típicos de HCC em exames contrastados (TC ou RM) incluem realce arterial (hipervascularização na fase arterial) seguido de clareamento (washout) na fase portal ou tardia, frequentemente com a presença de uma pseudocápsula.
A AFP é um marcador tumoral que pode estar elevada em casos de HCC, mas não é específica nem sensível o suficiente para ser usada como único critério diagnóstico. Níveis muito elevados (>400 ng/mL) são mais sugestivos, mas elevações moderadas podem ocorrer em outras condições ou em HCC sem cirrose, exigindo confirmação por biópsia.
A biópsia é necessária quando os critérios não invasivos (baseados em imagem e/ou AFP em pacientes cirróticos, conforme LI-RADS) não são conclusivos para HCC, ou quando há suspeita de outras lesões (adenoma, hiperplasia nodular focal, metástase) que não podem ser diferenciadas apenas pela imagem, especialmente em pacientes sem cirrose.
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