Candidíase Vulvovaginal: Diagnóstico e Tratamento

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Sobre as infecções vaginais e pélvicas, incluindo a doença inflamatória pélvica (DIP), é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) a análise de secreções vaginais e endocervicais é parte fundamental da avaliação de pacientes com DIP. Em mulheres com DIP, pode-se detectar redução do número de leucócitos polimorfonucleares em preparação a fresco das secreções vaginais ou no corrimento mucopurulento.
  2. B) quando houver indicação de internação para tratamento de DIP, pode-se considerar a alta das pacientes hospitalizadas quando a febre tiver cedido (<37,8°C por ao menos <18h), o número de leucócitos tiver se normalizado, não houver dor à descompressão súbita e a repetição do exame mostrar acentuada melhora da dor à palpação dos órgãos pélvicos.
  3. C) o abscesso tubo-ovariano pode ser tratado em regime ambulatorial, desde que a paciente esteja oligossintomática, afebril, normocárdica, sem leucocitose e desde que seja possível o seguimento em 48h após início da terapia com antibióticos, com redução de volume do abscesso de no mínimo 50% em relação ao tamanho inicial.
  4. D) o gel de metronidazol pode ser usado no tratamento da vaginose bacteriana, bem como no da tricomoníase vaginal.
  5. E) é recomendável fazer cultura para fungos a fim de confirmar o diagnóstico de candidíase vulvo-vaginal.

Pérola Clínica

Cultura para fungos não é recomendada para diagnóstico rotineiro de candidíase vulvovaginal, que é clínico-laboratorial.

Resumo-Chave

O diagnóstico de candidíase vulvovaginal é primariamente clínico (prurido, eritema, corrimento branco caseoso) e laboratorial (microscopia com hifas/leveduras). A cultura para fungos é reservada para casos atípicos, recorrentes ou resistentes ao tratamento, não sendo parte da rotina diagnóstica.

Contexto Educacional

As infecções vaginais são queixas comuns na ginecologia, e o diagnóstico diferencial correto é fundamental para o tratamento eficaz. A candidíase vulvovaginal, causada principalmente por Candida albicans, manifesta-se com prurido intenso, eritema vulvar e corrimento vaginal branco, espesso e grumoso, semelhante a "leite coalhado". O diagnóstico é geralmente estabelecido pela anamnese, exame físico e microscopia da secreção vaginal, que revela a presença de leveduras e hifas. A cultura para fungos, embora possa identificar a espécie de Candida, não é recomendada como rotina diagnóstica para candidíase vulvovaginal. Ela é mais útil em situações específicas, como casos de infecções recorrentes, persistentes ou refratárias ao tratamento, onde pode-se suspeitar de espécies de Candida não-albicans ou de resistência a antifúngicos comuns. Para a maioria dos casos, a abordagem clínica e microscópica é suficiente e mais custo-efetiva. É importante diferenciar a candidíase de outras infecções como a vaginose bacteriana e a tricomoníase, que possuem apresentações clínicas e tratamentos distintos. O metronidazol, por exemplo, é eficaz para vaginose bacteriana e tricomoníase, mas não para candidíase. O conhecimento aprofundado dessas condições é essencial para a prática do residente, garantindo o manejo adequado e evitando tratamentos desnecessários ou ineficazes.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de candidíase vulvovaginal?

O diagnóstico é feito com base nos sintomas clínicos (prurido, queimação, corrimento branco e espesso) e confirmado pela microscopia da secreção vaginal, que revela hifas e/ou leveduras.

Quando a cultura para fungos é indicada na candidíase?

A cultura é indicada em casos de candidíase recorrente, refratária ao tratamento, ou quando há suspeita de espécies de Candida não albicans, que podem exigir antifúngicos diferentes.

Qual a diferença entre vaginose bacteriana e candidíase?

A vaginose bacteriana apresenta corrimento acinzentado, odor fétido (peixe), pH vaginal > 4,5 e células-chave na microscopia. A candidíase tem corrimento branco caseoso, prurido intenso, pH normal (< 4,5) e hifas/leveduras na microscopia.

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