Diagnóstico de Asma na Infância: O Papel da Espirometria

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menino, 10 anos de idade, joga futebol desde pequeno; queixa-se de que há 5 meses vem apresentando dificuldade para correr, há um mês não consegue terminar a partida devido a crises de tosse seca e falta de ar. Há 2 semanas, com resfriado, piorou da tosse, principalmente na madrugada e pela manhã. Tem diagnóstico de rinite alérgica. Qual dos exames abaixo confirma a principal hipótese diagnóstica para sua queixa?

Alternativas

  1. A) pHmetria
  2. B) Rx de tórax
  3. C) Prova de função pulmonar
  4. D) IgE específicos para aeroalérgenos

Pérola Clínica

Criança com tosse crônica, sibilância ou dispneia desencadeada por exercício/infecções → confirmar Asma com espirometria (prova broncodilatadora positiva).

Resumo-Chave

O diagnóstico de asma é primariamente clínico, baseado em um padrão de sintomas respiratórios. A confirmação funcional, especialmente em crianças maiores de 5-6 anos, é feita pela prova de função pulmonar (espirometria), que demonstra um distúrbio obstrutivo (relação VEF1/CVF reduzida) que reverte significativamente após o uso de broncodilatador.

Contexto Educacional

A asma é a doença crônica mais comum na infância, caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas, hiper-reatividade brônquica e obstrução reversível do fluxo aéreo. A apresentação clínica é variável e inclui episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse, que pioram à noite, pela manhã ou com gatilhos específicos como exercícios, infecções virais e exposição a alérgenos. O diagnóstico em crianças acima de 5-6 anos é baseado na história clínica sugestiva e confirmado pela prova de função pulmonar. A espirometria é o exame padrão-ouro, capaz de demonstrar a obstrução ao fluxo aéreo (relação VEF1/CVF reduzida) e sua reversibilidade após a administração de um broncodilatador. Em casos de espirometria normal, mas com alta suspeita clínica, testes de broncoprovocação podem ser utilizados. É fundamental diferenciar a asma de outras causas de tosse crônica e sibilância na infância, como refluxo gastroesofágico, fibrose cística, discinesia ciliar primária e aspiração de corpo estranho. O manejo da asma envolve educação, controle ambiental, medicação de alívio (broncodilatadores de curta ação) e de controle (principalmente corticoides inalatórios), com o objetivo de manter o paciente assintomático e com função pulmonar normal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma prova broncodilatadora positiva na espirometria?

Uma prova broncodilatadora é considerada positiva quando, após a inalação de um broncodilatador de curta ação (como salbutamol), há um aumento do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) maior ou igual a 12% e 200 mL em relação ao valor pré-broncodilatador.

Qual o tratamento inicial para asma induzida pelo exercício em crianças?

O tratamento de primeira linha é o uso de um broncodilatador de curta ação (SABA), como o salbutamol, 15 a 30 minutos antes do exercício. Se os sintomas forem frequentes, pode ser necessário iniciar um tratamento de controle com corticoide inalatório em baixa dose.

Quando um raio-x de tórax é necessário na investigação de tosse crônica infantil?

O raio-x de tórax é indicado para excluir outras causas de tosse crônica, como infecções (tuberculose), malformações congênitas, corpo estranho aspirado ou doença intersticial. Na asma não complicada, o exame é tipicamente normal ou pode mostrar sinais de hiperinsuflação.

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