UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Mulher de 26 anos iniciou artralgia no punho direito há 6 meses, com piora em repouso, melhora ao movimento, e rigidez matinal de 2 horas, associado a aumento de volume e rubor local. Há 3 meses, passou a apresentar também sintomas no punho contralateral e, subsequentemente, cotovelos, metacarpofalangeanas e interfalangeanas proximais bilaterais. AP: tabagista ativa. Ao exame físico: artrite de mãos, punhos e cotovelos. Exames: FAN não reagente; hemograma normal; PCR 1,8 mg/dL (VR <0,5 mg/dL). O padrão clínico de reconhecimento, a principal hipótese diagnóstica e os exames complementares são, respectivamente:
Poliartrite simétrica crônica aditiva, rigidez matinal >1h, PCR ↑ → Artrite Reumatoide. Investigar FR e anti-CCP.
O quadro clínico de poliartrite simétrica crônica aditiva, com rigidez matinal prolongada (>1h) e envolvimento de pequenas e grandes articulações, é altamente sugestivo de Artrite Reumatoide (AR). A elevação da PCR reforça o processo inflamatório. A investigação deve incluir Fator Reumatoide (látex) e anti-CCP para confirmação diagnóstica.
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune e sistêmica, que afeta predominantemente as articulações, levando a dor, inchaço, rigidez e, se não tratada, destruição articular e deformidades. Sua epidemiologia mostra uma prevalência global de cerca de 0,5-1%, sendo mais comum em mulheres e com pico de incidência entre 30 e 50 anos. A importância clínica reside na sua capacidade de causar incapacidade funcional significativa e reduzir a qualidade de vida. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune complexa que ataca a sinóvia, resultando em inflamação e proliferação celular. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no padrão de poliartrite simétrica e aditiva, rigidez matinal prolongada (geralmente > 30 minutos a 1 hora) e envolvimento de pequenas articulações. Fatores como tabagismo são reconhecidos como de risco para o desenvolvimento e pior prognóstico da AR. Exames complementares incluem marcadores inflamatórios como PCR e VHS, e autoanticorpos como o Fator Reumatoide (FR) e o anti-CCP, que são cruciais para a classificação e prognóstico. O tratamento da AR visa controlar a inflamação, aliviar a dor, prevenir a destruição articular e melhorar a função, utilizando uma combinação de anti-inflamatórios, glicocorticoides e, principalmente, drogas modificadoras do curso da doença (DMCDs), incluindo biológicos. O prognóstico melhorou drasticamente com o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento, mas a doença ainda requer manejo contínuo e multidisciplinar. Residentes devem estar aptos a reconhecer o quadro clínico típico e iniciar a investigação adequada para um diagnóstico e tratamento oportunos.
A Artrite Reumatoide tipicamente se manifesta como uma poliartrite simétrica, crônica e aditiva, afetando principalmente pequenas articulações das mãos (metacarpofalangeanas, interfalangeanas proximais) e pés, mas também punhos, cotovelos e joelhos. A rigidez matinal prolongada, com duração superior a 30 minutos a 1 hora, é um sintoma característico.
O Fator Reumatoide (FR) e os anticorpos anti-peptídeos citrulinados cíclicos (anti-CCP) são marcadores sorológicos importantes para o diagnóstico da Artrite Reumatoide. O anti-CCP é mais específico e pode estar presente em fases precoces da doença, além de ser um preditor de erosão articular. Ambos são incluídos nos critérios de classificação.
A diferenciação da Artrite Reumatoide de outras poliartrites envolve a análise do padrão de acometimento articular (simétrico, aditivo), a presença de rigidez matinal prolongada, a ausência de FAN reagente (que sugere lúpus), e a positividade para FR e anti-CCP. Outras condições como artrite psoriática, lúpus e espondiloartrites têm padrões clínicos e laboratoriais distintos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo