HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022
Mulher, 45 anos, apresenta poliartrite de pequenas articulações de mãos, punhos, pés e tornozelos, há seis meses. Refere que, associado ao quadro descrito, apresenta rigidez matinal acima de uma hora, e não há melhora com o uso de anti-inflamatórios não hormonais. Há dois meses, notou aparecimento de nódulo endurecido na parte extensora do antebraço. Relata também perda de peso e febre vespertina (até 37,5 °C). Antecedentes familiares relevantes: prima tem lúpus eritematoso sistêmico. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que apresenta a abordagem diagnóstica correta.
Poliartrite simétrica pequenas articulações + rigidez matinal >1h + nódulos → Artrite Reumatoide. FR, Anti-CCP e Rx mãos para diagnóstico.
A apresentação clínica da paciente é altamente sugestiva de Artrite Reumatoide (AR), caracterizada por poliartrite simétrica de pequenas articulações, rigidez matinal prolongada e manifestações extra-articulares como nódulos reumatoides, perda de peso e febre. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais e de imagem específicos.
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune e sistêmica, que afeta principalmente as articulações sinoviais, levando à dor, inchaço, rigidez e, eventualmente, destruição articular e deformidades. É uma das doenças reumáticas mais comuns, com prevalência de cerca de 0,5% a 1% na população adulta, sendo mais frequente em mulheres e com pico de incidência entre 30 e 50 anos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar danos articulares irreversíveis e melhorar o prognóstico dos pacientes. O diagnóstico da AR é baseado em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. Clinicamente, a poliartrite simétrica de pequenas articulações, rigidez matinal prolongada (>30-60 minutos), e a presença de nódulos reumatoides são marcadores importantes. Laboratorialmente, a pesquisa de Fator Reumatoide (FR) e anticorpos anti-peptídeos citrulinados cíclicos (Anti-CCP) é essencial. O Anti-CCP é particularmente valioso devido à sua alta especificidade para AR e sua capacidade de prever a progressão da doença erosiva. Exames como VHS e PCR são úteis para avaliar a atividade inflamatória. A radiografia de mãos e pés é fundamental para identificar erosões e estreitamento do espaço articular, que são sinais de dano estrutural. O tratamento da AR visa controlar a inflamação, aliviar a dor, prevenir a destruição articular e melhorar a qualidade de vida. Inclui anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) para alívio sintomático, glicocorticoides como terapia ponte, e principalmente, os medicamentos modificadores do curso da doença (MMCDs), como metotrexato, leflunomida e sulfassalazina. Em casos de doença mais agressiva ou refratária, são utilizados os agentes biológicos. O manejo multidisciplinar, incluindo fisioterapia e terapia ocupacional, é vital para a reabilitação e manutenção da função articular.
Os principais critérios incluem poliartrite simétrica de pequenas articulações (mãos, punhos, pés), rigidez matinal com duração superior a uma hora, e a presença de nódulos reumatoides. Sintomas sistêmicos como fadiga, perda de peso e febre baixa também são comuns.
O Fator Reumatoide (FR) e o Anti-CCP (anticorpos anti-peptídeos citrulinados cíclicos) são marcadores sorológicos que auxiliam no diagnóstico da AR. O Anti-CCP, em particular, possui alta especificidade e é um preditor de doença mais erosiva, sendo útil mesmo em casos de FR negativo.
A radiografia de mãos é fundamental para avaliar a presença de erosões ósseas e estreitamento do espaço articular, que são sinais característicos de dano articular progressivo na Artrite Reumatoide. Ela ajuda a classificar a gravidade da doença e monitorar sua progressão.
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