Artrite Reumatoide: Diagnóstico e Exames Essenciais

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 45 anos, apresenta poliartrite de pequenas articulações de mãos, punhos, pés e tornozelos, há seis meses. Refere que, associado ao quadro descrito, apresenta rigidez matinal acima de uma hora, e não há melhora com o uso de anti-inflamatórios não hormonais. Há dois meses, notou aparecimento de nódulo endurecido na parte extensora do antebraço. Relata também perda de peso e febre vespertina (até 37,5 °C). Antecedentes familiares relevantes: prima tem lúpus eritematoso sistêmico. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que apresenta a abordagem diagnóstica correta.

Alternativas

  1. A) FAN e anti-DNA nativo.
  2. B) Eletroforese de proteínas plasmáticas.
  3. C) FAN, anti-tireoglobulina, anti-peroxidase, TSH, T3 e T4 livre.
  4. D) Fator reumatoide, anti-peptídeo citrulinado cíclico e radiografia de mãos.
  5. E) VHS, PCR e hemograma.

Pérola Clínica

Poliartrite simétrica pequenas articulações + rigidez matinal >1h + nódulos → Artrite Reumatoide. FR, Anti-CCP e Rx mãos para diagnóstico.

Resumo-Chave

A apresentação clínica da paciente é altamente sugestiva de Artrite Reumatoide (AR), caracterizada por poliartrite simétrica de pequenas articulações, rigidez matinal prolongada e manifestações extra-articulares como nódulos reumatoides, perda de peso e febre. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais e de imagem específicos.

Contexto Educacional

A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune e sistêmica, que afeta principalmente as articulações sinoviais, levando à dor, inchaço, rigidez e, eventualmente, destruição articular e deformidades. É uma das doenças reumáticas mais comuns, com prevalência de cerca de 0,5% a 1% na população adulta, sendo mais frequente em mulheres e com pico de incidência entre 30 e 50 anos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar danos articulares irreversíveis e melhorar o prognóstico dos pacientes. O diagnóstico da AR é baseado em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. Clinicamente, a poliartrite simétrica de pequenas articulações, rigidez matinal prolongada (>30-60 minutos), e a presença de nódulos reumatoides são marcadores importantes. Laboratorialmente, a pesquisa de Fator Reumatoide (FR) e anticorpos anti-peptídeos citrulinados cíclicos (Anti-CCP) é essencial. O Anti-CCP é particularmente valioso devido à sua alta especificidade para AR e sua capacidade de prever a progressão da doença erosiva. Exames como VHS e PCR são úteis para avaliar a atividade inflamatória. A radiografia de mãos e pés é fundamental para identificar erosões e estreitamento do espaço articular, que são sinais de dano estrutural. O tratamento da AR visa controlar a inflamação, aliviar a dor, prevenir a destruição articular e melhorar a qualidade de vida. Inclui anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) para alívio sintomático, glicocorticoides como terapia ponte, e principalmente, os medicamentos modificadores do curso da doença (MMCDs), como metotrexato, leflunomida e sulfassalazina. Em casos de doença mais agressiva ou refratária, são utilizados os agentes biológicos. O manejo multidisciplinar, incluindo fisioterapia e terapia ocupacional, é vital para a reabilitação e manutenção da função articular.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios clínicos para suspeitar de Artrite Reumatoide?

Os principais critérios incluem poliartrite simétrica de pequenas articulações (mãos, punhos, pés), rigidez matinal com duração superior a uma hora, e a presença de nódulos reumatoides. Sintomas sistêmicos como fadiga, perda de peso e febre baixa também são comuns.

Por que o Fator Reumatoide e o Anti-CCP são importantes no diagnóstico da Artrite Reumatoide?

O Fator Reumatoide (FR) e o Anti-CCP (anticorpos anti-peptídeos citrulinados cíclicos) são marcadores sorológicos que auxiliam no diagnóstico da AR. O Anti-CCP, em particular, possui alta especificidade e é um preditor de doença mais erosiva, sendo útil mesmo em casos de FR negativo.

Qual o papel da radiografia de mãos no diagnóstico da Artrite Reumatoide?

A radiografia de mãos é fundamental para avaliar a presença de erosões ósseas e estreitamento do espaço articular, que são sinais característicos de dano articular progressivo na Artrite Reumatoide. Ela ajuda a classificar a gravidade da doença e monitorar sua progressão.

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