PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021
Paciente de 18 anos, sexo feminino, há 24h teve início insidioso de dor abdominal em região epigástrica de caráter vago e difuso. Nas últimas 8h a dor concentrou-se em região de fossa ilíaca D. Relata inapetência e náuseas sem vômitos e teve um episódio febril de 38 graus durante este período de evolução. Nega queixa urinária e ginecológica. Ao exame, abdome encontra-se sem distensão, com dor intensa à palpação, dor muito intensa à descompressão em fossa ilíaca D e região suprapúbica. Hemograma apresenta: Hb 12,5 Ht 37%, GB 12000 leucócitos com 7% de bastonetes, 65% segmentados; Urina I com nitrito negativo, raras bactérias, 5000 hemácias (vn até 5000) por campo e 25000 leucócitos por campo (vn até 5000). Mediante os achados clínicos e laboratoriais, a conduta mais apropriada é:
Dor FID + desvio à esquerda + dor à descompressão → Apendicite aguda, mesmo com alterações urinárias.
Em pacientes jovens com quadro clínico clássico de apendicite aguda (dor migratória, inapetência, náuseas, febre, dor à descompressão em FID), a presença de piúria e hematúria microscópica na urina I não exclui o diagnóstico, podendo ser irritação vesical ou ureteral. A conduta é cirúrgica.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, especialmente em adolescentes e adultos jovens. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história e exame físico, que revelam a clássica dor migratória, inapetência, náuseas e sinais de irritação peritoneal na fossa ilíaca direita. O quadro clínico típico inicia-se com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas e febre baixa. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose com desvio à esquerda. Em mulheres jovens, o diagnóstico diferencial é amplo e inclui condições ginecológicas (doença inflamatória pélvica, cisto ovariano torcido) e urinárias (ITU, cálculo ureteral), que devem ser consideradas. A presença de leucócitos e hemácias na urina I pode ocorrer devido à proximidade do apêndice inflamado com o ureter ou bexiga, causando irritação e inflamação local, sem necessariamente indicar uma infecção do trato urinário primária. Nesses casos, a clínica de apendicite aguda prevalece e a conduta é cirúrgica (apendicectomia), sem necessidade de tratamento prévio para uma suposta ITU, a fim de evitar atrasos no tratamento definitivo.
A apendicite aguda tipicamente começa com dor periumbilical de caráter vago que migra para a fossa ilíaca direita, acompanhada de inapetência, náuseas, vômitos e febre baixa. Sinais de irritação peritoneal, como dor à descompressão, são comuns.
Embora a apendicite possa causar piúria e hematúria por irritação vesical ou ureteral, a ITU geralmente apresenta disúria, polaciúria e nitrito positivo. A dor na apendicite é mais localizada na FID e associada a sinais peritoneais, enquanto na ITU a dor é mais difusa ou em flanco.
A conduta inicial em caso de forte suspeita de apendicite aguda é a avaliação cirúrgica urgente para confirmação diagnóstica e apendicectomia, que é o tratamento definitivo. Antibioticoterapia prévia não é indicada em casos não complicados.
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