INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Em Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mulher de 30 anos, negra, casada, refere vários episódios de dores nas pernas no último ano, às vezes com edema local, e dores torácicas, associadas à febre, coriza e tosse, apresentando melhora com paracetamol há 1 semana. Relata fortes dores em membros inferiores, intensidade 8/10, sem irradiação, e dor na região lombar, fadiga, indisposição e edema doloroso em tornozelo sem melhora, com utilização de analgésicos há 1 dia. Pai faleceu aos 40 anos devido a acidente vascular encefálico. Exame físico: eupneica; afebril; mucosas descoradas (++/4+); icterícia (+/4+). Sem alterações nos sinais vitais. Ausculta cardíaca com sopro sistólico (++/4+). Abdome plano, sem visceromegalias. Edema unilateral sem empastamento em tornozelo esquerdo (++/4+), associado à úlcera maleolar de 2 cm, com secreção purulenta e hiperemia nas bordas. Os exames laboratoriais apresentam os seguintes resultados: | Exame | Resultado | Valor de referência | |---|---|---| | Hematócrito | 24% | 36 a 47% | | Hemoglobina | 8,2 g/dL | 12,5 a 16,0 g/dL | | Reticulócitos | 135.000/mm³ | 20.000 a 100.000/mm³ | | Leucócitos | 11.000/mm³ | 4.000 a 11.000/mm³ | | Plaquetas | 420.000/mm³ | 150.000 a 450.000/mm³ | | Glicemia de jejum | 80 mg/dL | 70 a 99 mg/dL | | Colesterol total | 151 mg/dL | Abaixo de 200 mg/dL | | HDL-C | 53 mg/dL | Acima de 50 mg/dL | | Triglicerídeos | 134 mg/dL | Abaixo de 150 mg/dL | | Esfregaço | Apresenta drepanócitos | ----- | | ECG | Sem alterações | --- | Qual achado no exame complementar confirma a principal hipótese diagnóstica para o caso?
Suspeita de Anemia Falciforme (crises álgicas, úlcera, anemia hemolítica) → Confirmação = Eletroforese de Hemoglobina (HbS).
A anemia falciforme deve ser fortemente suspeitada em pacientes com histórico de crises álgicas recorrentes, úlceras de perna, anemia crônica com reticulocitose e icterícia, especialmente em indivíduos negros; o diagnóstico definitivo é estabelecido pela identificação da hemoglobina S na eletroforese de hemoglobina, que é o exame padrão-ouro.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária caracterizada pela presença de hemoglobina S, que causa a deformação dos glóbulos vermelhos em forma de foice sob condições de baixa oxigenação. Essa alteração leva a crises vaso-oclusivas dolorosas, anemia hemolítica crônica, icterícia e diversas outras complicações sistêmicas, como úlceras de perna e maior risco de acidentes vasculares. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pela história clínica e achados laboratoriais como anemia, reticulocitose e a presença de drepanócitos no esfregaço sanguíneo. No entanto, a confirmação definitiva da anemia falciforme (doença falciforme homozigótica SS) ou de outras síndromes falciformes (como S-beta talassemia ou SC) é feita pela eletroforese de hemoglobina, que quantifica os diferentes tipos de hemoglobina presentes. Este exame é crucial para o manejo e aconselhamento genético.
Crises álgicas (vaso-oclusivas), anemia hemolítica crônica, icterícia, úlceras de perna e susceptibilidade a infecções.
Drepanócitos são hemácias em forma de foice, indicativas de doença falciforme, mas não confirmam o tipo específico de hemoglobinopatia.
A eletroforese de hemoglobina, que identifica a presença e a quantidade de hemoglobina S.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo