Demência de Alzheimer: Diagnóstico e Achados de Neuroimagem

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Seu Carlos, 76 anos, hipertenso e diabético vem apresentando a um ano ""lapsos de memória"", mudança de comportamento, alteração do sono, certa agressividade e está muito repetitivo segundo sua esposa que também é sua cuidadora. Ao exame físico nada de relevante foi encontrado, porém ao realizar o teste do mineexame mental seu escore foi de 15 pontos. Durante a consulta sua esposa mostrou um exame de ressonância cerebral que mostrava uma atrofia de hipocampo. Seu Carlos não se queixava de problemas de memória e até ria quando era perguntado sobre este assunto. Com base no relato acima, marque a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A esquizofrenia é o diagnóstico mais provável para o relato acima.
  2. B) O principal fator de risco para o surgimento da demência de Alzheimer é a diabetes.
  3. C) A redução volumétrica do hipocampo por si só não define o diagnóstico de Alzheimer.
  4. D) Nem sempre portadores de Alzheimer terão a memória comprometida.
  5. E) O fato do paciente não se queixar de esquecimento exclui o diagnóstico de Alzheimer.

Pérola Clínica

Atrofia hipocampal + MEEM baixo + anosognosia → forte suspeita Alzheimer, mas não diagnóstico isolado.

Resumo-Chave

A atrofia hipocampal é um achado comum e precoce na doença de Alzheimer, mas não é patognomônica, podendo ocorrer em outras condições neurodegenerativas ou mesmo no envelhecimento normal. O diagnóstico de Alzheimer é clínico, baseado em critérios diagnósticos que incluem declínio cognitivo progressivo e exclusão de outras causas.

Contexto Educacional

A demência de Alzheimer é a causa mais comum de demência em idosos, caracterizada por um declínio progressivo e irreversível das funções cognitivas, incluindo memória, raciocínio e linguagem, que interfere nas atividades diárias. Sua prevalência aumenta exponencialmente com a idade, sendo um desafio crescente de saúde pública. A doença tem um impacto devastador na qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores. A fisiopatologia envolve o acúmulo de placas de beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares de proteína tau, levando à disfunção sináptica e morte neuronal, especialmente no hipocampo e córtex. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como os do DSM-5 ou NIA-AA, que consideram o declínio cognitivo, a interferência nas atividades diárias e a exclusão de outras causas. Achados de neuroimagem, como atrofia hipocampal na ressonância magnética, são suportivos, mas não diagnósticos por si só. A anosognosia, a falta de percepção da própria doença, é comum e pode ser um sinal precoce. O tratamento atual da doença de Alzheimer é sintomático e visa retardar a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida. Medicamentos como inibidores da colinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) e memantina são utilizados. O manejo não farmacológico inclui estimulação cognitiva, suporte ao cuidador e tratamento de sintomas comportamentais. O prognóstico é de progressão contínua da doença, com a expectativa de vida após o diagnóstico variando de 4 a 8 anos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da demência de Alzheimer?

Os sintomas iniciais da demência de Alzheimer incluem perda de memória recente, dificuldade em planejar ou resolver problemas, desorientação temporal e espacial, alterações de humor e comportamento, e dificuldade com a linguagem. A progressão leva a um declínio cognitivo mais amplo.

Qual o papel da atrofia hipocampal no diagnóstico de Alzheimer?

A atrofia do hipocampo é um achado comum e precoce na ressonância magnética de pacientes com Alzheimer, refletindo a degeneração neuronal nessa área crucial para a memória. Embora sugestiva, não é exclusiva de Alzheimer e deve ser interpretada no contexto clínico completo.

O que é anosognosia e como ela se manifesta na demência?

Anosognosia é a falta de percepção ou consciência de um déficit ou doença. Em pacientes com demência, manifesta-se como a negação ou minimização dos problemas de memória ou outras dificuldades cognitivas, o que pode dificultar o diagnóstico e o manejo da doença.

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