Adenomiose: Diagnóstico e Sintomas em Nuligestas

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 37 anos, nuligesta com queixa de dismenorreia progressiva há 3 anos e sangramento menstrual excessivo, procurou ginecologista. O exame ginecológico revelou apenas útero em AVFM e aumentado para gravidez de 2 meses. A ultrassonografia transvaginal solicitada revelou apenas útero com 180 cc e imagens sugestivas de adenomiose. Isto significa que

Alternativas

  1. A) há uma evidente contradição, pois adenomiose é afecção de multíparas. Deve sersolicitada uma ressonância magnética da pelve.
  2. B) a adenomiose pode explicar o quadro clínico da paciente.
  3. C) deve ser solicitada uma histeroscopia ambulatorial para avaliação se é umaadenomiose focal ou difusa.
  4. D) deve ser solicitada a tomografia computadorizada para medida da zona juncional e semaior que 7 mm se confirma o diagnóstico.
  5. E) a paciente deve ter outra afecção em associação à adenomiose pois o sangramentouterino anormal deve ter outra etiologia.

Pérola Clínica

Adenomiose → dismenorreia progressiva e sangramento uterino anormal, mesmo em nuligestas.

Resumo-Chave

A adenomiose é uma condição em que o tecido endometrial se infiltra no miométrio, causando sintomas como dismenorreia progressiva e sangramento uterino anormal. Embora mais comum em multíparas, pode ocorrer em nuligestas, e a ultrassonografia transvaginal é um método diagnóstico inicial eficaz para sua suspeita.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica benigna caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico dentro do miométrio, a camada muscular do útero. É uma causa comum de dor pélvica e sangramento uterino anormal, afetando significativamente a qualidade de vida das mulheres. Sua prevalência é subestimada devido à dificuldade diagnóstica e à sobreposição de sintomas com outras condições, como a endometriose. A fisiopatologia envolve a invaginação do endométrio basal para o miométrio, resultando em hiperplasia e hipertrofia das células musculares lisas circundantes. Os sintomas, como dismenorreia progressiva e menorragia, são explicados pela resposta inflamatória local e pela disfunção contrátil do miométrio. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pela história clínica e exame físico (útero aumentado e doloroso), e confirmado por exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal e, em casos selecionados, a ressonância magnética da pelve, que oferece maior detalhe da zona juncional. O tratamento da adenomiose pode ser clínico, com analgésicos, anti-inflamatórios e terapias hormonais (ACOs, progestágenos, análogos de GnRH), ou cirúrgico, sendo a histerectomia o tratamento definitivo. É crucial reconhecer que a adenomiose pode se manifestar em nuligestas, desafiando o estereótipo de ser uma 'doença de multíparas' e exigindo uma abordagem diagnóstica abrangente para todas as pacientes com sintomas sugestivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da adenomiose?

Os sintomas clássicos da adenomiose incluem dismenorreia progressiva (dor menstrual que piora com o tempo), sangramento uterino anormal (menorragia, metrorragia) e, em alguns casos, dor pélvica crônica. O útero pode estar aumentado e difusamente amolecido ao exame físico.

Qual o papel da ultrassonografia transvaginal no diagnóstico da adenomiose?

A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de primeira linha para a suspeita de adenomiose. Pode revelar achados como útero globoso, miométrio heterogêneo, cistos miometriais, estrias hiperecogênicas e espessamento assimétrico das paredes uterinas, especialmente da zona juncional.

A adenomiose pode ocorrer em mulheres nuligestas?

Sim, embora a adenomiose seja mais prevalente em mulheres multíparas, ela pode ocorrer em nuligestas. A nuliparidade não exclui o diagnóstico, e os sintomas típicos devem sempre levar à investigação, independentemente do histórico obstétrico da paciente.

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