FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
Adolescente de 16 anos, com vida sexual ativa, ciclos irregulares, procura a Unidade Básica de Saúde, pois acha que está grávida. Realizou teste urinário, adquirido na farmácia, com resultado positivo e informa a última menstruação há cinco semanas. O médico solicita ultrassonografia (US) pélvica via transvaginal. A adolescente retorna em três dias trazendo o resultado da US que revelou presença de saco gestacional com embrião, porém não foi observado batimentos cardíacos. Nesse caso, a conduta deve ser:
Ausência de batimentos cardíacos em embrião < 7mm ou saco gestacional > 25mm sem embrião → repetir USG em 7-14 dias para confirmar aborto retido.
Em gestações iniciais, a ausência de batimentos cardíacos em um embrião pequeno (geralmente < 7mm) ou a visualização de um saco gestacional sem embrião com medidas limítrofes não é suficiente para o diagnóstico definitivo de aborto retido. É crucial repetir a ultrassonografia após um intervalo de tempo adequado (1-2 semanas) para confirmar a não progressão da gestação antes de qualquer intervenção.
O aborto retido é uma condição comum que afeta aproximadamente 15% das gestações clinicamente reconhecidas, sendo uma das principais causas de perda gestacional no primeiro trimestre. O diagnóstico preciso é fundamental para evitar intervenções desnecessárias e para o manejo adequado da paciente, que frequentemente experimenta grande angústia emocional. A compreensão dos critérios ultrassonográficos e do tempo de espera é crucial para a prática clínica e para provas de residência. A fisiopatologia do aborto retido geralmente envolve anomalias cromossômicas no embrião, levando à interrupção do desenvolvimento fetal. O diagnóstico é primariamente ultrassonográfico, mas exige cautela. Critérios como a ausência de batimentos cardíacos em embriões com comprimento cabeça-nádega (CCN) ≥ 7 mm ou sacos gestacionais com diâmetro médio ≥ 25 mm sem embrião são considerados definitivos. No entanto, em casos limítrofes, onde o embrião é menor ou o saco gestacional não atinge esses tamanhos, a repetição da ultrassonografia após 7 a 14 dias é imperativa para confirmar a não viabilidade. A conduta após a suspeita inicial, como no caso da questão, deve ser a repetição do exame de ultrassonografia após duas semanas. Se o diagnóstico for confirmado, as opções de tratamento incluem manejo expectante, medicamentoso (misoprostol) ou cirúrgico (AMIU ou curetagem), sempre considerando o estado clínico da paciente, seus desejos e a disponibilidade de recursos. A escolha da conduta deve ser individualizada, visando a segurança e o bem-estar físico e emocional da paciente.
O diagnóstico definitivo de aborto retido inclui a ausência de batimentos cardíacos em um embrião com comprimento cabeça-nádega (CCN) ≥ 7 mm, ou um saco gestacional com diâmetro médio ≥ 25 mm sem embrião, ou ausência de embrião com batimentos cardíacos após 11 dias de um saco gestacional com vesícula vitelínica, ou após 14 dias de um saco gestacional sem vesícula vitelínica.
A repetição da ultrassonografia é crucial para evitar o diagnóstico falso-positivo de aborto retido. Variações na datação da gestação e na visualização podem ocorrer, e um intervalo de 7 a 14 dias permite confirmar a ausência de crescimento embrionário ou o surgimento de batimentos cardíacos, assegurando a precisão diagnóstica.
Após a confirmação diagnóstica de aborto retido, as opções de manejo incluem a conduta expectante (aguardar a expulsão espontânea), manejo medicamentoso (com misoprostol) ou manejo cirúrgico (aspiração manual intrauterina - AMIU ou curetagem uterina), dependendo da preferência da paciente e das condições clínicas.
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