Pé Diabético Isquêmico: Revascularização Antes do Desbridamento

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 65 anos de idade, diabético, apresenta-se no pronto-socorro com uma úlcera na região plantar do pé esquerdo há 6 semanas. Sem febre, com sinais vitais estáveis e com contagem de leucocitos de 9000 cels/mm³. A radiografia simples do pé demonstra destruição óssea significativa do primeiro e do segundo metatarsos distais. Ao exame, há uma ferida aberta de 3 x 4 cm sobre o antepé, com eritema circundante moderado menor que 0,5 cm. Pulsos distais ausentes, a pele do pé é brilhante e há perda dos fâneros até a metade da perna. O ultrassom mostra uma coleção discreta de fluido plantar sobre a primeira e a segunda cabeça do metatarso. O indice tornozelo braço (ITB) do lado esquerdo é 0,5. Foi internado e prescrito antibiótico endovenoso. Qual das alternativas a seguir descreve é a melhor sequência de manejo cirúrgico para este paciente?

Alternativas

  1. A) Revascularização e posterior desbridamento.
  2. B) Desbridamento e curativo com pressão negativa.
  3. C) Desbridamento e oxigenioterapia hiperbárica.
  4. D) Amputação do primeiro e segundo raio e posterior revascularização.

Pérola Clínica

Pé diabético isquêmico com ITB 0,5 e osteomielite → revascularização antes do desbridamento.

Resumo-Chave

Paciente diabético com úlcera crônica, sinais de isquemia grave (pulsos ausentes, pele brilhante, perda de fâneros, ITB 0,5) e osteomielite (destruição óssea) necessita de revascularização prioritária. Restaurar o fluxo sanguíneo é essencial para a cicatrização da úlcera e o sucesso do desbridamento, evitando a progressão da isquemia e a necessidade de amputação maior.

Contexto Educacional

O pé diabético é uma complicação grave do diabetes mellitus, caracterizada por neuropatia, doença arterial periférica (DAP) e infecção, que podem levar a úlceras, osteomielite e, em casos graves, amputação. A presença de isquemia, evidenciada por pulsos ausentes, alterações tróficas da pele e um Índice Tornozelo-Braço (ITB) < 0,9, indica um prognóstico desfavorável para a cicatrização de feridas. A osteomielite, por sua vez, é uma infecção óssea que requer tratamento prolongado e, muitas vezes, cirúrgico. No paciente apresentado, a combinação de úlcera crônica, sinais claros de isquemia crítica (ITB 0,5, pulsos ausentes) e destruição óssea sugestiva de osteomielite exige uma abordagem terapêutica bem definida. A prioridade é restaurar o fluxo sanguíneo para o membro afetado. A revascularização, seja por métodos endovasculares ou cirurgia aberta, visa melhorar a perfusão tecidual, o que é fundamental para o controle da infecção, a cicatrização da úlcera e a viabilidade do desbridamento. Realizar um desbridamento extenso em um membro isquêmico sem revascularização prévia pode levar à necrose adicional e à falha do tratamento. Portanto, a sequência ideal de manejo cirúrgico para este cenário é a revascularização seguida do desbridamento. A oxigenioterapia hiperbárica e o curativo com pressão negativa são terapias adjuvantes que podem ser consideradas após a revascularização e o desbridamento, mas não substituem a necessidade de restaurar o fluxo sanguíneo. A amputação primária é reservada para casos de inviabilidade do membro ou infecção fulminante incontrolável.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de isquemia crítica em um pé diabético?

Sinais de isquemia crítica incluem pulsos distais ausentes ou diminuídos, pele brilhante e atrófica, perda de fâneros, dor em repouso e úlceras que não cicatrizam. O ITB < 0,9 é um indicador importante.

Por que a revascularização é prioritária no pé diabético isquêmico com infecção?

A revascularização é prioritária para restaurar o fluxo sanguíneo adequado ao membro. Sem suprimento sanguíneo suficiente, o desbridamento não será eficaz, a infecção não será controlada e a cicatrização da úlcera será impossível, aumentando o risco de amputação.

Quando a amputação é a primeira opção no pé diabético?

A amputação primária é considerada em casos de infecção grave e incontrolável com sepse, necrose extensa e irreversível do membro, ou quando a revascularização não é tecnicamente possível ou falhou, e o membro não é viável.

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