Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Um homem de 65 anos, diabético, apresenta uma úlcera no pé há uma semana. A lesão está rodeada de tecido necrosado e a área é dolorosa e com secreção purulenta. O exame físico revela eritema que se estende até a panturrilha. Há sinais de toxemia e febre de 39ºC. O paciente foi previamente tratado com antibiótico oral. O próximo passo mais adequado no manejo deste paciente deve ser:
Pé diabético com necrose, secreção e sinais sistêmicos (febre, toxemia) → Desbridamento cirúrgico urgente + Antibiótico IV.
A presença de tecido necrótico e sinais de toxicidade sistêmica em um paciente com pé diabético infectado classifica a infecção como grave e exige uma abordagem dupla e imediata: controle cirúrgico do foco (desbridamento) e tratamento sistêmico com antibióticos intravenosos. A terapia oral isolada é insuficiente.
O pé diabético é uma complicação crônica do diabetes mellitus, resultante da interação entre neuropatia, doença arterial periférica e alterações imunológicas. As úlceras nos pés são portas de entrada para infecções que podem progredir rapidamente, ameaçando o membro e a vida do paciente. A avaliação da gravidade da infecção é o primeiro passo para um manejo adequado. Uma infecção é considerada grave quando há evidência de resposta inflamatória sistêmica (febre, taquicardia, leucocitose) ou sinais locais extensos, como celulite que se estende para além de 2 cm da úlcera, envolvimento de estruturas profundas, necrose tecidual ou gangrena. A presença de tecido necrótico e secreção purulenta, como no caso, indica um processo infeccioso avançado que não será controlado apenas com terapia medicamentosa. O tratamento de infecções graves do pé diabético baseia-se em dois pilares fundamentais e urgentes: antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e desbridamento cirúrgico. O desbridamento é essencial para remover todo o tecido desvitalizado e necrótico, que atua como um meio de cultura para bactérias e impede a cicatrização. A antibioticoterapia IV garante concentrações adequadas do fármaco para combater a infecção sistêmica e local. A falha em realizar o controle cirúrgico do foco é uma das principais causas de insucesso terapêutico e progressão para amputação.
Sinais de infecção grave incluem celulite extensa (>2 cm), abscesso profundo, necrose, gangrena e, fundamentalmente, sinais de resposta inflamatória sistêmica (SIRS), como febre, taquicardia, leucocitose ou hipotensão.
A terapia empírica deve ser de amplo espectro, cobrindo cocos Gram-positivos (incluindo MRSA), bacilos Gram-negativos e anaeróbios. Esquemas comuns incluem piperacilina-tazobactam ou um carbapenêmico, associados à vancomicina se houver suspeita de MRSA.
O desbridamento remove o tecido necrótico e infectado que serve como fonte contínua de infecção. Além disso, alivia a pressão, melhora a perfusão local e permite a penetração eficaz dos antibióticos, sendo um passo fundamental para o controle da sepse e salvamento do membro.
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