Pé Diabético e Osteomielite: Diagnóstico e Conduta

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 64 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 há 20 anos, hipertensão arterial e neuropatia periférica grave, apresenta úlcera plantar no hálux direito há 3 semanas, com aumento da secreção purulenta e odor fétido. Ao exame fisico do pé direito, apresenta úlcera de 2,5 cm, fundo necrótico, bordas irregulares, eritema e calor perilesional, drenagem purulenta abundante, pulsos pediosos palpáveis. Exames complementares: glicemia capilar: 238 mg/dL, HbA1c: 9,2%. Radiografia do pé com suspeita de erosão da falange distal. A intervenção terapêutica neste caso é:

Alternativas

  1. A) Internar, iniciar antibiótico endovenoso de amplo espectro e solicitar ressonância magnética para avaliação de osteomielite.
  2. B) Tratar ambulatorialmente com antibiótico oral e apenas curativo local.
  3. C) Internar e solicitar angiografia para revascularização urgente.
  4. D) Indicar amputação imediata do hálux na sala de emergência.
  5. E) Otimizar o controle glicêmico sem antibiótico.

Pérola Clínica

Úlcera profunda + secreção purulenta + erosão óssea → Internação + ATB IV + RM.

Resumo-Chave

Infecções moderadas a graves em pés diabéticos com suspeita de osteomielite exigem estabilização hospitalar, antibioticoterapia de amplo espectro e exames de imagem de alta sensibilidade (RM).

Contexto Educacional

O pé diabético é uma das complicações mais debilitantes do DM, resultando de uma tríade de neuropatia, angiopatia e imunodeficiência relativa. A presença de secreção purulenta e odor fétido sugere infecção polimicrobiana, frequentemente envolvendo anaeróbios. A erosão óssea vista ao raio-X é um sinal tardio de osteomielite, exigindo investigação imediata com RM para delimitar a extensão da lesão. O controle glicêmico rigoroso é fundamental para a cicatrização, mas não substitui a necessidade de intervenção infecciosa e cirúrgica quando indicada. O manejo multidisciplinar é o padrão-ouro para evitar amputações maiores, focando no desbridamento de tecidos desvitalizados, controle da infecção e otimização da perfusão tecidual.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de osteomielite no pé diabético?

A suspeita de osteomielite deve ocorrer em úlceras crônicas (>2 semanas), profundas (>2cm), que não cicatrizam, ou quando o teste de 'probe-to-bone' (toque do osso com sonda metálica) é positivo. Alterações radiográficas como erosões corticais e reações periosteais corroboram o diagnóstico, embora a ressonância magnética seja o exame de escolha pela maior sensibilidade e especificidade em fases precoces, permitindo identificar o edema ósseo antes da destruição cortical visível no raio-X simples.

Quais os critérios para internação no pé diabético?

A internação é indicada em infecções moderadas a graves (IWGDF 3 ou 4), caracterizadas por eritema >2cm, sinais sistêmicos de infecção (febre, leucocitose, taquicardia), instabilidade metabólica (hiperglicemia grave ou cetoacidose), isquemia crítica associada ou suspeita de infecção profunda/osteomielite que necessite de desbridamento cirúrgico urgente ou antibioticoterapia parenteral de amplo espectro para cobertura de patógenos polimicrobianos.

Qual a cobertura antibiótica inicial recomendada?

A antibioticoterapia inicial deve ser empírica e de amplo espectro, cobrindo cocos Gram-positivos (incluindo S. aureus), Gram-negativos e anaeróbios, especialmente em úlceras crônicas, fétidas e com tecido necrótico. Opções comuns incluem Piperacilina-Tazobactam ou a associação de Ciprofloxacino com Clindamicina. O ajuste deve ser feito conforme os resultados de culturas de fragmentos ósseos ou tecidos profundos obtidos por biópsia, evitando swabs superficiais que apenas mostram colonização.

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