SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 57 anos de idade, residente em uma área rural de difícil acesso, é portador de diabetes mellitus tipo 2 há 12 anos. Em visita domiciliar, ele relata usar metformina 850mg, 3 vezes ao dia, e não faz com frequência o controle de glicemia. Não tem usado a medicação, em virtude da dificuldade de comparecer à Unidade de Saúde. Nos últimos três meses, começou a notar uma ferida no pé esquerdo, que inicialmente era pequena, mas que tem aumentado de tamanho, com bordas endurecidas e exsudato purulento esporádico. Também apresenta dor de intensidade moderada que piora ao andar, mas continua trabalhando na lavoura. Ao exame físico, observa-se uma úlcera plantar com secreção amarela serosa, presença de pulsos periféricos diminuídos e uma área ao redor da lesão com edema discreto e rubor. Foi feita uma glicemia capilar: 240mg/dl no momento da consulta.Indique a melhor conduta inicial para o manejo deste paciente, considerando o cenário para o tratamento.
Pé diabético com sinais de infecção + isquemia (pulsos ↓) + barreira social → Antibiótico + Hospitalização.
A presença de exsudato purulento e pulsos diminuídos em um paciente com controle glicêmico precário e dificuldade de acesso exige tratamento sistêmico e avaliação hospitalar imediata.
O pé diabético é uma das complicações mais debilitantes do Diabetes Mellitus, resultando de uma combinação de neuropatia periférica, doença arterial obstrutiva e imunossupressão relativa. A classificação de gravidade (como a de Wagner ou IWGDF) guia a conduta clínica. No caso apresentado, a associação de infecção (exsudato purulento) e provável isquemia (pulsos diminuídos) classifica a lesão como de alto risco. O manejo inicial deve focar na estabilização clínica, início de antibioticoterapia de largo espectro (frequentemente cobrindo Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios) e avaliação da necessidade de revascularização ou desbridamento urgente. O contexto social de difícil acesso reforça a necessidade de internação para garantir a aderência ao tratamento, monitoramento rigoroso e prevenção de desfechos catastróficos como a perda do membro.
Sinais de gravidade incluem a presença de secreção purulenta, odor fétido, edema, rubor que se estende além da borda da ferida (celulite > 2cm), crepitação (sugerindo gás nos tecidos), instabilidade hemodinâmica, descontrole glicêmico agudo e sinais de isquemia crítica, como ausência de pulsos e extremidade fria. A dor desproporcional ou a perda de sensibilidade também são marcadores importantes.
Pacientes com úlceras infectadas e sinais de doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) necessitam de exames de imagem (como Doppler ou arteriografia), desbridamento cirúrgico especializado e, muitas vezes, antibioticoterapia intravenosa. O cenário de difícil acesso e baixo controle glicêmico aumenta drasticamente o risco de amputação se o tratamento for postergado no nível primário.
A hiperglicemia mantida (como os 240mg/dl do caso) prejudica a função leucocitária, reduz a síntese de colágeno e favorece a proliferação bacteriana. O controle rigoroso da glicemia é essencial para a resposta imunológica à infecção e para os processos de granulação e epitelização da ferida, sendo um pilar do tratamento do pé diabético.
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