Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Paciente de 73 anos, diabético, com úlcera crônica em maléolo medial infectada e secreção purulenta. Qual é o tratamento inicial recomendado?
Úlcera diabética infectada → Antibiótico sistêmico + Avaliação vascular (ITB/Doppler).
O tratamento do pé diabético infectado exige abordagem sistêmica para controle da infecção e avaliação da perfusão arterial para garantir a cicatrização.
O pé diabético é uma das complicações mais debilitantes do diabetes mellitus, resultando de uma combinação de neuropatia periférica, doença arterial e imunopatia. A presença de secreção purulenta em uma úlcera crônica classifica-a como infectada, exigindo intervenção imediata para prevenir a amputação. A abordagem deve ser multidisciplinar, focando no controle glicêmico, alívio de pressão (offloading), desbridamento cirúrgico se necessário, e otimização da perfusão sanguínea.
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é altamente prevalente em diabéticos e é um dos principais fatores que impedem a cicatrização. Sem fluxo sanguíneo adequado, os antibióticos sistêmicos não atingem o sítio da infecção em concentrações terapêuticas e o tecido não recebe oxigênio suficiente para regeneração. Portanto, o Índice Tornozelo-Braquial (ITB) ou Doppler arterial são fundamentais para definir a necessidade de revascularização.
A antibioticoterapia sistêmica está indicada sempre que houver sinais clínicos de infecção, como secreção purulenta, eritema, calor, dor ou edema local. Em pacientes diabéticos, a infecção pode progredir rapidamente para tecidos profundos e osteomielite, exigindo cobertura inicial empírica para germes Gram-positivos, Gram-negativos e, por vezes, anaeróbios, dependendo da gravidade e histórico do paciente.
Curativos e pomadas tópicas são adjuvantes no manejo da carga bacteriana local e manutenção do meio úmido, mas nunca devem ser a terapia única em úlceras infectadas. O tratamento definitivo requer o controle da causa base (hiperglicemia), desbridamento de tecidos desvitalizados e tratamento da infecção sistêmica para evitar a progressão para sepse ou amputação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo