CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024
Gumercindo, 64 anos, comparece à unidade de saúde com lesão característica de mal perfurante plantar, com drenagem de secreção purulenta há 5 dias. Nega dor ou febre, mas refere piora do aspecto da ferida, e piora do rubor no pé acometido. Estava fazendo macerado de ampicilina e colocando sobre a ferida. Relata uso de Losartana 50mg 12/12hs. Nega DM2. Relata que fuma porronca desde a adolescência. Ao exame físico, nota-se pé edemaciado, com calor e rubor, presença de úlcera plantar em 1o metatarsiano, drenando secreção esverdeada e parte da borda com área enegrecida. Pulso pedioso não palpável no pé acometido. A melhor conduta para Gumercindo é:
Úlcera plantar infectada com sinais de isquemia e infecção grave → Internar, ATB amplo espectro (Piperacilina/Tazobactam), investigar osteomielite e isquemia.
O paciente apresenta um quadro grave de infecção de pé, provavelmente diabético (apesar de negar DM2, a lesão é característica e ele tem fatores de risco como tabagismo e idade), com sinais de isquemia (pulso pedioso não palpável) e possível osteomielite (secreção esverdeada, borda enegrecida). Isso exige internação, antibioticoterapia de amplo espectro e investigação de isquemia e osteomielite.
O pé diabético é uma complicação grave do diabetes mellitus, caracterizada por neuropatia, doença arterial periférica e infecção. A úlcera plantar infectada, especialmente com sinais de isquemia e secreção purulenta, representa uma emergência médica que pode levar à amputação se não tratada adequadamente e de forma precoce. O paciente apresenta múltiplos fatores de risco (idade, tabagismo, lesão característica de mal perfurante plantar) e sinais de infecção grave (rubor, calor, secreção esverdeada, borda enegrecida) e isquemia (pulso pedioso não palpável). A negação de DM2 não exclui a doença, que deve ser investigada ativamente, pois a apresentação clínica é altamente sugestiva. A conduta inicial deve ser a internação hospitalar para antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios (ex: piperacilina/tazobactam). É mandatório investigar a extensão da infecção (com imagem para osteomielite, como radiografia, ressonância magnética ou cintilografia) e a presença de doença arterial periférica (com Doppler arterial) para um manejo completo e multidisciplinar, que pode incluir desbridamento cirúrgico e revascularização.
Sinais de alerta incluem celulite extensa, secreção purulenta, febre, dor intensa (se houver neuropatia, a dor pode ser ausente), sinais de isquemia (pulsos ausentes ou diminuídos), e suspeita de osteomielite (exposição óssea, úlcera crônica que não cicatriza).
A osteomielite é uma complicação comum e grave do pé diabético, exigindo tratamento prolongado e, muitas vezes, cirúrgico. A suspeita é alta devido à úlcera crônica, secreção e bordas enegrecidas, e sua presença muda significativamente o plano terapêutico.
O Doppler arterial avalia a presença e gravidade da doença arterial periférica, que é um fator complicador importante no pé diabético, comprometendo a cicatrização da ferida e aumentando o risco de amputação. A revascularização pode ser necessária para o sucesso do tratamento.
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