AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Paciente de 68 anos, diabética, utiliza insulina há seis anos para controle da doença. Está fazendo episódios frequentes de hipoglicemia, mesmo com a redução da dose da insulina. Assinale a alternativa que apresenta o exame cuja dosagem pode auxiliar na diferenciação entre excesso de insulina por produção endógena ou por administração de dose excessiva.
Hipoglicemia + insulina exógena → peptídeo C baixo; Hipoglicemia + insulina endógena (insulinoma/sulfonilureia) → peptídeo C alto.
O peptídeo C é um subproduto da clivagem da pró-insulina em insulina e é secretado em quantidades equimolares à insulina endógena. Sua dosagem é útil para diferenciar hipoglicemia causada por excesso de insulina exógena (peptídeo C baixo) de hipoglicemia por produção endógena excessiva (peptídeo C alto), como em insulinomas ou uso de sulfonilureias.
A hipoglicemia é uma complicação comum no tratamento do diabetes mellitus, especialmente em pacientes que utilizam insulina ou sulfonilureias. No entanto, quando a hipoglicemia se torna frequente e inexplicável, mesmo com a redução da dose de insulina, é crucial investigar a sua causa para garantir um manejo seguro e eficaz. A diferenciação entre hipoglicemia causada por excesso de insulina administrada (exógena) e por produção excessiva de insulina pelo próprio corpo (endógena) é um passo diagnóstico fundamental. O peptídeo C é uma molécula que é co-secretada com a insulina em quantidades equimolares pelas células beta do pâncreas. Ao contrário da insulina exógena, que não contém peptídeo C, a insulina endógena é sempre acompanhada por ele. Portanto, a dosagem do peptídeo C sérico é um exame valioso para distinguir a origem da hipoglicemia. Níveis baixos de peptídeo C na presença de hipoglicemia e níveis elevados de insulina sugerem que a insulina é de origem exógena. Por outro lado, níveis elevados de peptídeo C e insulina indicam produção endógena excessiva, como ocorre em insulinomas ou no uso de secretagogos de insulina (sulfonilureias). Essa diferenciação é vital para a conduta terapêutica. Se a hipoglicemia for de origem exógena, o ajuste da dose de insulina ou a revisão da técnica de aplicação podem ser suficientes. Se for de origem endógena, a investigação de um insulinoma (um tumor produtor de insulina) ou o ajuste de medicamentos como as sulfonilureias se torna prioritária. A glicemia de jejum e o glucagon, embora importantes no manejo do diabetes, não fornecem essa informação específica sobre a origem da insulina.
O peptídeo C é um marcador da produção endógena de insulina. Níveis baixos sugerem hipoglicemia por insulina exógena, enquanto níveis elevados indicam produção excessiva de insulina pelo pâncreas (ex: insulinoma, uso de sulfonilureias).
A insulina sérica pode estar elevada tanto por produção endógena quanto por administração exógena. O peptídeo C, por ser co-secretado apenas com a insulina endógena, é um indicador mais específico da função das células beta pancreáticas.
É útil na investigação de hipoglicemia de causa desconhecida, para diferenciar insulinoma de administração inadvertida ou intencional de insulina exógena, e para avaliar a reserva de células beta em diabéticos tipo 1 e tipo 2.
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