HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Secundigesta, 23 anos de idade, portadora de diabetes tipo 1, comparece à primeira consulta de pré-natal com 15 semanas de idade gestacional. Refere aborto espontâneo prévio. Encontra-se em insulinoterapia com controle glicêmico adequado. Trouxe ultrassonografia morfológica do primeiro trimestre sem alterações. Exame físico: PA: 120 x 85 mmHg. Pulso: 82 bpm. Altura uterina: 14 cm. Foco: 140 bpm. A conduta mais adequada a se realizar nessa consulta é
Diabetes tipo 1 na gestação é fator de risco para pré-eclâmpsia; iniciar AAS profilático antes de 16 semanas é conduta padrão.
Pacientes com diabetes tipo 1 na gestação apresentam alto risco para desenvolvimento de pré-eclâmpsia. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose, iniciada preferencialmente antes das 16 semanas de gestação, é recomendada para reduzir esse risco e melhorar os desfechos maternos e perinatais.
A gestação em mulheres com diabetes tipo 1 é considerada de alto risco devido às potenciais complicações maternas e fetais. O controle glicêmico rigoroso é fundamental para prevenir malformações congênitas e outras morbidades. No entanto, mesmo com um bom controle, essas pacientes permanecem com um risco aumentado para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia, uma complicação grave que pode levar a morbimortalidade materna e perinatal significativa. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal, resultando em isquemia e liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial sistêmica. O diabetes tipo 1, por si só, já é um fator de risco independente para essa condição, devido a alterações vasculares e inflamatórias preexistentes. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia) tem demonstrado eficácia na redução da incidência de pré-eclâmpsia em populações de alto risco. A recomendação atual é iniciar o AAS em baixa dose para gestantes com fatores de alto risco para pré-eclâmpsia, preferencialmente antes das 16 semanas de gestação, e continuar até o parto. No caso da paciente descrita, o diabetes tipo 1 é um fator de alto risco claro, justificando a prescrição de AAS. Outras opções como hidroclortiazida, heparina ou troca/adição de hipoglicemiantes orais não são a conduta primária para a profilaxia da pré-eclâmpsia neste contexto. O bom controle glicêmico com insulina deve ser mantido.
Os principais fatores de risco incluem hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional (tipo 1 ou 2), doença renal crônica, doenças autoimunes, histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior e gestação múltipla.
O AAS em baixa dose atua inibindo a agregação plaquetária e modulando a produção de prostaciclinas e tromboxano, melhorando a perfusão placentária e reduzindo o risco de disfunção endotelial associada à pré-eclâmpsia.
O AAS deve ser iniciado preferencialmente entre 12 e 16 semanas de gestação, mas pode ser iniciado até 20 semanas, e mantido até o parto, em pacientes com fatores de alto risco.
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