UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Mulher, 17 anos de idade, é portadora de diabetes monogênico do tipo HNF1A-MODY (MODY3) e faz uso de gliclazida para controle da hiperglicemia. Exames laboratoriais: hemoglobina glicada = 6,7% e glicemia de jejum = 138 mg/dL. Quais são os outros resultados de exames bioquímicos esperados neste caso?
MODY3 (HNF1A) → Peptídeo C presente + Glicosúria (limiar renal ↓) + Alta sensibilidade à Sulfonilureia.
O MODY3 é causado por mutações no gene HNF1A, resultando em disfunção das células beta com produção de insulina preservada (Peptídeo C detectável) e uma redução característica no limiar renal de glicose, causando glicosúria mesmo com glicemias próximas ao normal.
O diabetes monogênico do tipo MODY3 (Maturity-Onset Diabetes of the Young) representa a forma mais comum de MODY. É causado por mutações no fator de transcrição nuclear de hepatócito 1-alfa (HNF1A). Clinicamente, manifesta-se em jovens adultos ou adolescentes, frequentemente mimetizando DM1 ou DM2, mas com um padrão de herança autossômico dominante claro. Laboratorialmente, o diagnóstico é sugerido pela ausência de marcadores de autoimunidade e pela preservação da função das células beta. A característica bioquímica marcadora, além da hiperglicemia, é a glicosúria inapropriada para o nível de glicemia, decorrente da disfunção do SGLT2 mediada pela deficiência de HNF1A. O tratamento de escolha são as sulfonilureias, que permitem um controle metabólico superior à insulina nesses casos específicos.
No MODY3, a mutação no gene HNF1A leva a uma regulação negativa do transportador SGLT2 nos túbulos renais proximais. Isso resulta em uma diminuição do limiar de reabsorção de glicose pelos rins, fazendo com que o paciente apresente glicosúria em níveis glicêmicos muito mais baixos do que a população geral (frequentemente abaixo de 130-150 mg/dL), o que é uma pista diagnóstica importante para diferenciar de outros tipos de diabetes.
A diferenciação é clínica e laboratorial. O MODY3 geralmente apresenta história familiar autossômica dominante (3 gerações), ausência de autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-insulina negativos) e níveis de peptídeo C persistentemente detectáveis (indicando produção endógena de insulina), ao contrário do DM1, onde há destruição autoimune das células beta e exaustão do peptídeo C.
Pacientes com MODY3 apresentam uma sensibilidade extrema às sulfonilureias de baixa dose, como a gliclazida. Isso ocorre porque o defeito primário é na detecção da glicose e sinalização da secreção de insulina, mas o maquinário de secreção distal (alvo das sulfonilureias) está funcional. O reconhecimento correto evita o uso desnecessário de insulina e melhora o controle glicêmico com medicação oral.
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