Diabetes Tipo 2 Descompensado: Otimizando o Tratamento

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Sra. Maria do Carmo, 50 anos, diabética, em uso de glibenclamida 20mg/dia e metformina 2g/dia, chega à consulta com glicemia capilar = 290 e resultado da última HbA1c = 9%. Está com seu peso = 90kg e altura = 1,60m. Seu Médico de Família está bastante preocupado e deseja otimizar o tratamento. Sobre a condução desse caso, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A insulinização plena é o primeiro passo e a dose inicial é de 1UI/kg/dia.
  2. B) a metformina poderá ser retirada se a insulina for introduzida.
  3. C) esta paciente não se beneficiaria da cirurgia bariátrica, uma vez que ela pode ser classificada como obesa grau I.
  4. D) a prática de atividade física e alteração nos hábitos alimentares não são mais úteis nessa fase do tratamento.
  5. E) a insulina ao deitar deve ser iniciada na dose de 10UI e os ajustes da dose devem basear-se na glicemia de jejum.

Pérola Clínica

DM2 descompensado (HbA1c 9%) em uso de 2 orais + Obesidade Grau II → Iniciar insulina basal (10UI ao deitar) e ajustar pela glicemia de jejum, mantendo metformina.

Resumo-Chave

Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 descompensado (HbA1c > 8-9%) apesar da terapia oral máxima, a insulinização basal é o próximo passo. A dose inicial de insulina basal é tipicamente 10 UI ao deitar, com ajustes baseados na glicemia de jejum. A metformina deve ser mantida, e a cirurgia bariátrica é uma opção para obesidade grau II com DM2 descompensado.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva que requer manejo contínuo e, frequentemente, escalonamento terapêutico. Quando a terapia oral máxima (geralmente metformina e um segundo agente) falha em controlar a glicemia, evidenciado por uma HbA1c persistentemente elevada (acima de 8-9%), a introdução de insulina é o próximo passo. A insulinização basal é a estratégia inicial preferencial, adicionando uma dose de insulina de ação prolongada para controlar a glicemia de jejum. A dose inicial de insulina basal é tipicamente de 10 unidades administradas ao deitar, ou 0,1-0,2 UI/kg/dia. A titulação da dose é crucial e deve ser feita de forma gradual, baseando-se nos valores da glicemia de jejum do paciente, com o objetivo de atingir as metas glicêmicas individuais sem induzir hipoglicemia. É importante ressaltar que a metformina, se não houver contraindicações, deve ser mantida, pois oferece benefícios adicionais como redução do risco cardiovascular e auxílio no controle do peso. Além da insulinização, a paciente em questão, com IMC de 35,15 kg/m² (obesidade grau II) e DM2 descompensado, seria uma candidata à cirurgia bariátrica, que pode levar à remissão ou melhora significativa do diabetes. A prática de atividade física e a alteração nos hábitos alimentares são pilares do tratamento do DM2 em todas as fases, e nunca devem ser desconsideradas. Residentes devem dominar essas estratégias para oferecer um tratamento abrangente e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quando a insulinização deve ser considerada em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2?

A insulinização deve ser considerada quando o paciente com Diabetes Mellitus tipo 2 não atinge as metas glicêmicas (especialmente HbA1c > 8-9%) apesar do uso otimizado de múltiplos agentes orais, ou na presença de sintomas de hiperglicemia grave, perda de peso inexplicada ou complicações agudas.

Qual a dose inicial recomendada para insulina basal e como ela é ajustada?

A dose inicial de insulina basal é geralmente de 10 unidades ao deitar ou 0,1-0,2 UI/kg/dia. Os ajustes da dose devem ser baseados na glicemia de jejum, com aumentos de 2-4 unidades a cada 2-3 dias até que a meta de glicemia de jejum seja alcançada, sem hipoglicemia.

Qual o papel da cirurgia bariátrica no tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2?

A cirurgia bariátrica é uma opção de tratamento eficaz para pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e obesidade (IMC ≥ 35 kg/m², ou ≥ 30 kg/m² com comorbidades não controladas). Ela pode levar à remissão ou melhora significativa do diabetes, além de outros benefícios metabólicos e cardiovasculares.

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