HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020
Uma menina de treze anos de idade foi levada à consulta ambulatorial de rotina, apresentando exame de glicemia capilar de jejum 184 mg/dL. Ao exame, tinha pressão arterial de 140 x 89 mmHg e IMC de 32 kg/m². Seu pai é obeso e sua mãe tem diabetes mellitus (DM) tipo 2. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta em relação ao provável quadro de DM tipo 2 da criança.
DM2 pediátrico: mais agressivo que no adulto, maior risco de complicações precoces.
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em crianças e adolescentes é uma condição crescente, frequentemente associada à obesidade e histórico familiar. Diferente do adulto, o DM2 pediátrico tende a ser mais agressivo, com maior risco de complicações micro e macrovasculares precoces e falha mais rápida das células beta.
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em crianças e adolescentes é uma preocupação crescente de saúde pública, impulsionada pela epidemia global de obesidade infantil. Diferente do DM1, que é autoimune, o DM2 pediátrico é caracterizado por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas, frequentemente em indivíduos com histórico familiar de DM2 e obesidade. A puberdade e o sexo feminino são, de fato, fatores de risco adicionais. A fisiopatologia do DM2 em jovens envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais. A obesidade leva à resistência à insulina, exigindo maior produção de insulina pelas células beta. Com o tempo, essas células podem falhar, resultando em hiperglicemia. A apresentação clínica pode variar desde achados assintomáticos em exames de rotina até sintomas clássicos de hiperglicemia, e, em alguns casos, cetoacidose diabética, embora menos comum que no DM1. É crucial reconhecer que o DM2 em crianças e adolescentes é geralmente mais agressivo do que em adultos. A progressão da doença é mais rápida, com maior taxa de falha das células beta e um risco significativamente maior de desenvolver complicações micro e macrovasculares (como nefropatia, retinopatia, neuropatia e doença cardiovascular) em idades mais jovens. O tratamento inicial inclui mudanças no estilo de vida e metformina, mas muitos pacientes pediátricos necessitam de insulinoterapia precocemente para o controle glicêmico.
Os principais fatores de risco incluem obesidade, histórico familiar de DM2 (especialmente em parentes de primeiro grau), etnia (afro-americanos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos), sinais de resistência à insulina (acantose nigricans, hipertensão, dislipidemia) e puberdade.
O DM2 pediátrico é mais grave devido à maior taxa de falha das células beta, progressão mais rápida da doença, maior prevalência de complicações micro e macrovasculares em idades mais jovens e maior dificuldade em alcançar e manter o controle glicêmico.
Sim, embora a cetoacidose diabética seja mais comum no DM1, cerca de 5-25% das crianças com DM2 podem apresentá-la no diagnóstico ou durante o curso da doença, especialmente em situações de estresse ou infecção, ou quando há deficiência de insulina significativa.
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