Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020
Menina de 5 anos de idade, 20kg de peso, chega ao pronto-socorro acompanhada de sua mãe, que conta que há 4 dias a criança se queixa de cefaleia, dor abdominal e diarreia. Nega antecedentes pessoais, febre e sintomas respiratórios, alergias. Relata que hoje a menina urinou pouco. Ao exame clínico, a paciente: apresenta irritabilidade, referindo sede, olhos fundos, mucosas secas. Frequência cardíaca de 126 batimentos/minuto, pulso central cheio, periférico fraco e desaparecimento lento da prega de pele. Após medidas iniciais, a mãe da criança refere que nos últimos meses a paciente tem apresentado perda de peso, apesar de melhora do apetite, e que tem interrompido as brincadeiras mais vezes para beber água ou ir ao banheiro. A investigação laboratorial dessas queixas deve incluir:
Criança com desidratação + polidipsia, poliúria, perda de peso → suspeitar DM1. Investigar com glicemia e eletrólitos.
Apesar dos sintomas iniciais de desidratação, a história de polidipsia, poliúria e perda de peso com melhora do apetite é altamente sugestiva de Diabetes Mellitus tipo 1. A investigação laboratorial inicial deve focar na glicemia capilar para confirmar o diagnóstico e nos eletrólitos para avaliar o grau de descompensação metabólica, como na cetoacidose diabética.
O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune que afeta principalmente crianças e adolescentes, caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas e consequente deficiência absoluta de insulina. A apresentação inicial pode ser insidiosa, com sintomas como poliúria, polidipsia e perda de peso, ou aguda, com cetoacidose diabética (CAD), uma emergência pediátrica grave. A prevalência de DM1 tem aumentado globalmente, tornando seu reconhecimento precoce crucial para evitar complicações. A fisiopatologia envolve a hiperglicemia resultante da falta de insulina, levando à diurese osmótica (poliúria), desidratação e sede intensa (polidipsia). A falta de insulina também impede a utilização de glicose pelas células, resultando em catabolismo de gorduras e proteínas, o que explica a perda de peso e a polifagia compensatória. A suspeita deve surgir em qualquer criança com sintomas de desidratação que também apresente história de aumento da sede e da frequência urinária, além de perda ponderal. O diagnóstico é confirmado pela glicemia elevada. O tratamento inicial da CAD envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos e acidobásicos. O prognóstico a longo prazo depende do controle glicêmico adequado para prevenir complicações crônicas. Residentes devem estar atentos aos sinais de DM1 para um diagnóstico e manejo precoces, que são determinantes para a evolução do paciente.
Os sinais de alerta incluem poliúria (urinar muito), polidipsia (muita sede), polifagia (muita fome) e perda de peso inexplicada, mesmo com aumento do apetite. Sintomas como fadiga, irritabilidade e infecções recorrentes também podem estar presentes.
A glicemia capilar é fundamental para confirmar a hiperglicemia, que é a base do diagnóstico de Diabetes Mellitus. Os eletrólitos são cruciais para avaliar o grau de desidratação e a presença de distúrbios eletrolíticos e acidobásicos, comuns na cetoacidose diabética, uma complicação grave do DM1.
A desidratação comum geralmente está associada a perdas gastrointestinais ou febre, sem poliúria ou polidipsia proeminentes antes do quadro agudo. Na desidratação por DM, a poliúria osmótica é a causa primária da perda de líquidos, e a história de polidipsia e perda de peso é um diferencial importante.
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