Diabetes Mellitus Tipo 1 Pediátrico: Diagnóstico e Sinais

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de nove anos e seis meses de idade foi levada ao pronto-socorro com quadro de poliúria, boca seca e perda de peso há duas semanas. Refere, também, dor abdominal e sonolência há um dia. Ao exame físico, é M1P1 e não apresenta acantose nem estrias. IMC no percentil 25 e altura no percentil 50. Foram constatadas glicemia de 427 mg/dL, cetonúria 4+ e gasometria com critérios de acidose metabólica. Sua mãe nega qualquer história de diabetes na família. Após tratamento inicial na emergência e na enfermaria, teve alta com insulinoterapia basal bólus e retornou em consulta, levando consigo exames com glicemia 215 mg/dL, HbA1c 11,5%, anticorpos antitirosinafosfatase positivo, anti-GAD positivo e antitransglutaminase positivo. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.

Alternativas

  1. A) diabete monogênico do tipo MODY (maturity onset diabetes of the young)
  2. B) diabete melito secundário à síndrome de Cushing
  3. C) diabete lipoatrófico
  4. D) diabete melito tipo 1
  5. E) diabete melito tipo 2

Pérola Clínica

Criança com DKA + autoanticorpos positivos (anti-GAD, anti-tirosina fosfatase) → Diabetes Mellitus Tipo 1.

Resumo-Chave

A presença de autoanticorpos específicos, como anti-GAD e antitirosinafosfatase, em um quadro de cetoacidose diabética em criança, é altamente sugestiva de Diabetes Mellitus Tipo 1, uma doença autoimune com destruição das células beta pancreáticas. A associação com antitransglutaminase positivo indica doença celíaca, comorbidade comum no DM1.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, levando à deficiência absoluta de insulina. É a forma mais comum de diabetes em crianças e adolescentes, com uma incidência crescente globalmente. O reconhecimento precoce é crucial para prevenir complicações agudas graves como a cetoacidose diabética (CAD). O diagnóstico de DM1 é baseado na presença de hiperglicemia (glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, ou HbA1c ≥ 6,5%) e, frequentemente, na detecção de autoanticorpos específicos, como anti-GAD, anti-IA2 e anti-insulina. A apresentação clínica clássica inclui poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso, podendo evoluir rapidamente para CAD, que se manifesta com dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação e alteração do nível de consciência. O tratamento do DM1 envolve a reposição de insulina por toda a vida, geralmente com esquemas basal-bolus, além de monitoramento glicêmico rigoroso, educação nutricional e prática de exercícios físicos. O manejo visa manter os níveis glicêmicos dentro da meta para prevenir complicações agudas e crônicas. A presença de comorbidades autoimunes, como doença celíaca ou tireoidite de Hashimoto, deve ser investigada ativamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais autoanticorpos associados ao Diabetes Mellitus Tipo 1?

Os principais autoanticorpos são anti-GAD (descarboxilase do ácido glutâmico), anti-ICA (ilhotas pancreáticas), anti-IA2 (tirosina fosfatase) e anti-ZnT8 (transportador de zinco 8). Sua presença confirma a natureza autoimune do DM1.

Qual a importância da cetoacidose diabética no diagnóstico de DM1 em crianças?

A cetoacidose diabética é a primeira manifestação em cerca de 25-40% dos casos de DM1 em crianças, sendo um sinal de deficiência grave de insulina. Sua presença, junto com hiperglicemia, cetonúria e acidose metabólica, é um critério diagnóstico para DM1.

Como diferenciar Diabetes Mellitus Tipo 1 de MODY em crianças?

O DM1 é autoimune, com autoanticorpos positivos e frequentemente DKA na apresentação. MODY (Maturity Onset Diabetes of the Young) é monogênico, geralmente sem autoanticorpos, com apresentação mais branda e história familiar de diabetes em várias gerações, sem DKA.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo