UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Mulher, 75 anos, antecedente de hipertensão arterial e diabete melito tipo 2 há 20 anos. Já realizou revascularização do miocárdio há 5 anos. Apresenta queixa de hiporexia, mal-estar, nega poliúria, polidipsia, polifagia ou perda ponderal. Em uso de losartana 100 mg/dia, metformina 850 mg três vezes ao dia e glibenclamida 15mg/dia. Ao exame físico, IMC de 25 kg/m² e panturrilha com 26 cm de circunferência. TA: 120x80 mmHg. Traz exames de trinta dias atrás: hemoglobina glicada de 11%. O melhor ajuste terapêutico do diabetes dessa paciente é:
DM2 idoso com alto risco CV e HbA1c elevada: priorizar agentes com benefício CV (SGLT2i/GLP-1), evitar glibenclamida, ajustar metformina.
Em idosos com DM2 e alto risco cardiovascular, o controle glicêmico deve ser individualizado, visando evitar hipoglicemia e utilizando fármacos com benefícios cardiovasculares e renais comprovados, como os inibidores de SGLT2. A glibenclamida deve ser evitada devido ao alto risco de hipoglicemia, sendo a gliclazida uma alternativa mais segura.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades e doença cardiovascular estabelecida, é complexo e exige uma abordagem individualizada. O objetivo principal é evitar hipoglicemia, que pode ter consequências devastadoras nessa população, e reduzir o risco de eventos macro e microvasculares, sem comprometer a qualidade de vida. A hemoglobina glicada de 11% indica um controle glicêmico muito inadequado, necessitando de intensificação terapêutica. A glibenclamida, uma sulfonilureia de primeira geração, é contraindicada em idosos devido ao seu alto risco de hipoglicemia. A gliclazida, uma sulfonilureia de segunda geração, possui um perfil de segurança mais favorável. Além disso, a metformina em doses elevadas pode causar sintomas gastrointestinais, justificando a redução em pacientes sintomáticos. A associação de um inibidor do SGLT2 é altamente recomendada neste cenário, pois essa classe de medicamentos demonstrou robustos benefícios cardiovasculares (redução de eventos cardiovasculares maiores e hospitalizações por insuficiência cardíaca) e renais, independentemente do controle glicêmico. Essa estratégia otimiza o tratamento, melhora o prognóstico e minimiza os riscos associados a medicamentos menos seguros.
A glibenclamida possui um alto risco de causar hipoglicemia grave e prolongada, especialmente em idosos, devido à sua longa meia-vida e metabólitos ativos, o que aumenta o risco de quedas e eventos cardiovasculares.
Os inibidores do SGLT2 (como empagliflozina, dapagliflozina) e os agonistas do receptor de GLP-1 (como liraglutida, semaglutida) demonstraram reduzir eventos cardiovasculares maiores e mortalidade em pacientes com DM2 e doença cardiovascular estabelecida.
A metformina é a primeira linha, mas em idosos, a dose deve ser ajustada com cautela, monitorando a função renal e efeitos gastrointestinais. Doses elevadas podem causar hiporexia e mal-estar, sendo a redução da dose uma estratégia válida.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo