INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem de 67 anos comparece à consulta de rotina. Diagnosticado com diabetes mellitus tipo 2 há cerca de 12 meses, em uso regular de metformina 500 mg de 12 em 12 horas. Possui história prévia de infarto agudo do miocárdio há 5 anos. Comparece à consulta de acompanhamento com exames laboratoriais de controle recentes, que apresentam resultados semelhantes aos exames anteriores, realizados há 3 e há 6 meses.A conduta recomendada para esse paciente é
DM2 + doença cardiovascular estabelecida → associar SGLT2i ou aGLP-1, independente do controle glicêmico.
Pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida (como IAM prévio) devem ter um inibidor de SGLT2 (SGLT2i) ou um agonista do receptor de GLP-1 (aGLP-1) adicionado ao seu regime terapêutico, independentemente do nível de controle glicêmico, devido aos seus comprovados benefícios cardiovasculares e renais.
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva que, além de afetar o metabolismo da glicose, está fortemente associada a complicações macro e microvasculares. A doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) é a principal causa de morbimortalidade em pacientes com DM2, tornando a prevenção secundária uma prioridade no manejo. As diretrizes atuais para o tratamento do DM2 evoluíram para além do mero controle glicêmico. Em pacientes com DCVA estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, a escolha dos medicamentos antidiabéticos deve priorizar aqueles com benefícios cardiovasculares e renais comprovados, como os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2i) e os agonistas do receptor de GLP-1 (aGLP-1). Nesse contexto, mesmo que a metformina (primeira linha) esteja sendo utilizada e os exames de controle glicêmico estejam estáveis, a presença de um infarto agudo do miocárdio prévio justifica a adição de um SGLT2i para conferir proteção cardiovascular adicional. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados com essas recomendações para otimizar o tratamento e melhorar os desfechos a longo prazo dos pacientes com DM2.
Os inibidores SGLT2 demonstraram em grandes estudos clínicos reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE), hospitalizações por insuficiência cardíaca e progressão da doença renal crônica em pacientes com DM2 e doença cardiovascular estabelecida, independentemente do controle glicêmico.
Além de reduzir a glicemia, os SGLT2i promovem perda de peso, redução da pressão arterial, e oferecem proteção cardiovascular e renal. Eles atuam aumentando a excreção urinária de glicose, sódio e água, o que contribui para esses efeitos protetores.
A associação de um SGLT2i é indicada como terapia de segunda linha (após metformina) em pacientes com DM2 que apresentam doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, mesmo que a HbA1c esteja dentro da meta.
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