Fisiopatologia do Diabetes Mellitus Tipo 2: Mecanismos Chave

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 45 anos com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) há 5 anos apresenta hiperglicemia persistente e obesidade. Durante a consulta, a paciente pergunta sobre as causas da DM2 e como ela se difere do diabetes tipo 1. Com base nos conhecimentos atuais sobre a fisiopatologia do DM2, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O DM2 é caracterizado por uma deficiência absoluta na secreção de insulina, causada por destruição autoimune das células beta pancreáticas.
  2. B) A resistência à insulina desempenha um papel central no DM2, sendo frequentemente associada à obesidade e à hiperglicemia
  3. C) No DM2, a presença de autoanticorpos contra as células beta pancreáticas é o principal fator diagnóstico.
  4. D) A insulina é raramente necessária para o tratamento do DM2, pois o problema primário é a deficiência absoluta de insulina.

Pérola Clínica

DM2 = Resistência à insulina + Deficiência relativa de secreção (frequentemente associada à obesidade).

Resumo-Chave

O DM2 é uma doença metabólica complexa onde a resistência periférica à insulina e a falência progressiva das células beta são os pilares centrais.

Contexto Educacional

A fisiopatologia do DM2 envolve o 'octeto de DeFronzo', que descreve múltiplos órgãos contribuindo para a hiperglicemia: redução da captação de glicose muscular, aumento da produção hepática de glicose, disfunção de incretinas, aumento da lipólise, hipersecreção de glucagon, reabsorção renal de glicose aumentada e disfunção de neurotransmissores. A resistência à insulina precede o diagnóstico clínico por anos, sendo inicialmente compensada por hiperinsulinismo até que a exaustão das células beta ocorra.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença fisiopatológica entre DM1 e DM2?

O DM1 é causado pela destruição autoimune das células beta, levando à deficiência absoluta de insulina. O DM2 é caracterizado por resistência à ação da insulina nos tecidos periféricos e uma deficiência relativa de secreção, onde o pâncreas não consegue compensar a demanda metabólica.

Como a obesidade contribui para o DM2?

O excesso de tecido adiposo, especialmente visceral, libera ácidos graxos livres e citocinas pró-inflamatórias (adipocinas) que interferem na sinalização do receptor de insulina, promovendo resistência insulínica no músculo, fígado e tecido adiposo.

O paciente com DM2 sempre precisará de insulina?

Não necessariamente. Inicialmente, o DM2 pode ser controlado com mudanças no estilo de vida e antidiabéticos orais. No entanto, devido à natureza progressiva da falência das células beta, muitos pacientes podem requerer insulinoterapia ao longo do tempo para manter o controle glicêmico.

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