FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023
Paciente com diagnóstico prévio de Diabete melito tipo 2, comparece ao ambulatório sem queixas, para mostrar exames de acompanhamento com glicemia de jejum = 89 mg% e hemoglobina glicosilada = 7,6%. A conduta a ser tomada é:
DM2: Glicemia jejum normal + HbA1c elevada → Descontrole glicêmico, checar adesão e dieta.
Uma glicemia de jejum pontual normal não exclui o descontrole glicêmico em pacientes com DM2, especialmente se a HbA1c estiver elevada (acima da meta individualizada). A HbA1c reflete o controle glicêmico médio dos últimos 2-3 meses, sendo um indicador mais fidedigno do manejo da doença.
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica caracterizada por resistência à insulina e/ou deficiência progressiva na secreção de insulina, resultando em hiperglicemia. O controle glicêmico adequado é fundamental para prevenir ou retardar as complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia, neuropatia) e macrovasculares (doença cardiovascular, AVC). A avaliação do controle glicêmico baseia-se em múltiplos parâmetros, sendo a glicemia de jejum e a hemoglobina glicosilada (HbA1c) os mais utilizados. A glicemia de jejum reflete o nível de glicose no sangue após um período de jejum de 8 a 12 horas, sendo útil para monitorar o controle diário. No entanto, uma glicemia de jejum isoladamente normal não garante um bom controle glicêmico geral. A HbA1c, por sua vez, oferece uma visão retrospectiva do controle glicêmico médio dos últimos 2 a 3 meses, sendo um indicador mais robusto da eficácia do tratamento a longo prazo. Para a maioria dos pacientes com DM2, a meta de HbA1c é inferior a 7%, embora possa ser individualizada. No caso de uma glicemia de jejum normal, mas uma HbA1c elevada, isso indica que o paciente está experimentando períodos de hiperglicemia ao longo do dia, que não são capturados pela glicemia de jejum. Nesses casos, é crucial reavaliar a adesão à dieta, ao plano de exercícios e à medicação. Pode ser necessário ajustar a terapia medicamentosa, intensificar o monitoramento da glicemia pós-prandial ou considerar a introdução de novas classes de medicamentos para otimizar o controle glicêmico e atingir as metas terapêuticas.
A HbA1c reflete a média dos níveis de glicose no sangue nos últimos 2 a 3 meses, sendo um indicador crucial do controle glicêmico a longo prazo e do risco de complicações micro e macrovasculares do diabetes.
Para a maioria dos adultos não gestantes com DM2, a meta de HbA1c é geralmente inferior a 7%. No entanto, essa meta pode ser individualizada, sendo mais rigorosa para pacientes jovens e sem comorbidades, e menos rigorosa para idosos ou com múltiplas comorbidades.
Uma HbA1c elevada com glicemia de jejum normal sugere que o paciente pode estar apresentando hiperglicemia pós-prandial ou em outros períodos do dia. A conduta deve ser investigar a adesão à dieta e à medicação, e considerar o monitoramento da glicemia pós-prandial.
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