INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um homem com 18 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde com queixas de indisposição, poliúria, polidipsia e perda ponderal de 5 kg nos últimos 4 meses. Realizou teste de glicemia de jejum no dia anterior, cujo resultado foi de 382 mg/dL. O paciente relata que não há história de diabetes melito na família. Ao exame físico, constata-se índice de massa corporal = 20,9 kg/m²; circunferência abdominal = 90 cm; pressão arterial = 123 x 82 mmHg; não se observa acantose nigricans. O resultado do exame clínico dos aparelhos circulatório e respiratório do paciente é normal. Diante desse quadro, o médico introduziu insulinas NPH e regular de imediato e encaminhou o paciente ao endocrinologista para seguimento. Nessa situação, a orientação médica adequada a esse paciente e seus familiares é:
Glicemia > 250-300 mg/dL + deficiência de insulina → exercício aumenta cetogênese e risco de CAD.
No DM1 descompensado, a atividade física estimula hormônios contrarreguladores (glucagon, catecolaminas) que, na ausência de insulina, agravam a hiperglicemia e a produção de corpos cetônicos.
O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) exige uma compreensão profunda da fisiologia da insulina. No diagnóstico, o paciente frequentemente se encontra em estado catabólico. A introdução imediata de insulina (NPH e Regular ou análogos) é vital. A educação em saúde deve enfatizar que, embora o exercício seja benéfico a longo prazo, ele requer estabilidade metabólica prévia. A presença de hiperglicemia acentuada sinaliza que o corpo não possui insulina suficiente para lidar com o estresse metabólico do esforço físico, transformando uma ferramenta terapêutica em um risco de vida (cetoacidose).
Em pacientes com deficiência grave de insulina (DM1 descompensado), o exercício físico não consegue promover a captação muscular de glicose. Em vez disso, a liberação de hormônios contrarreguladores como adrenalina e glucagon estimula a glicogenólise hepática e a lipólise. Sem insulina para frear a oxidação de ácidos graxos, ocorre um aumento maciço na produção de corpos cetônicos, elevando o risco de cetoacidose diabética (CAD). A recomendação é evitar exercícios se a glicemia estiver acima de 250-300 mg/dL, especialmente se houver cetonúria.
O paciente apresenta a tríade clássica de poliúria, polidipsia e perda ponderal, associada a uma glicemia de jejum muito elevada (382 mg/dL). O baixo IMC (20,9 kg/m²), a ausência de acantose nigricans (sinal de resistência insulínica) e a idade jovem (18 anos) corroboram fortemente o diagnóstico de Diabetes Mellitus Tipo 1, caracterizado pela destruição autoimune das células beta pancreáticas e insulinopenia absoluta.
Diferente do DM2, onde a perda de peso é frequentemente um objetivo, no DM1 recém-diagnosticado com perda ponderal involuntária, a dieta deve ser normocalórica e equilibrada para recuperar o estado nutricional. Dietas hipocalóricas são inadequadas e podem agravar o estado catabólico do paciente. O foco deve ser a contagem de carboidratos e o ajuste da dose de insulina prandial.
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