Diabetes e Hipertensão: Manejo de Múltiplos Fatores de Risco

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 53 anos de idade, sedentária, tabagista, hipertensa, em uso de anlodipino 10 mg por dia de forma regular, sem história de eventos isquêmicos prévios, foi abordada quanto à cessação do tabagismo, mas se recusou: vê no cigarro a única estratégia de controle da ansiedade e não deseja parar de fumar. Tem IMC = 29, FC = 82 bpm, PA = 160 x 100 mmHg (duas medidas na mesma consulta) e circunferência abdominal = 88 cm. Traz os seguintes resultados de exames: glicemia de jejum = 155 mg/dL, glicemia pós sobrecarga de dextrosol = 249 mg/dL, colesterol total = 263 mg/dL, HDL = 35 mg/dL, triglicerídeos = 290 mg/dL.A abordagem que nesse momento seria a mais coerente com os dados clínicos dessa paciente é reforçar a importância da busca por um estilo de vida saudável e

Alternativas

  1. A) associar um segundo anti-hipertensivo à sua prescrição, bem como reavaliar sua glicemia em três meses, apenas.
  2. B) associar um segundo anti-hipertensivo e metformina à sua prescrição nessa consulta.
  3. C) aumentar a dose da anlodipina e prescrever associação de metformina + glibenclamida nessa consulta.
  4. D) suspender a anlodipina e prescrever inibidor da enzima conversora de angiotensina e insulina NPH nessa consulta.

Pérola Clínica

Paciente com múltiplos FR CV, DM2 e HAS não controlada → otimizar anti-hipertensivo e iniciar metformina.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular (tabagismo, obesidade, dislipidemia), hipertensão não controlada (PA 160x100 mmHg em uso de anlodipino) e diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 (glicemia jejum 155 mg/dL, pós-sobrecarga 249 mg/dL). É imperativo intensificar o tratamento anti-hipertensivo e iniciar a metformina para o controle glicêmico e redução do risco cardiovascular.

Contexto Educacional

O manejo de pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia, é um desafio comum na prática clínica e um tema central em provas de residência. A abordagem deve ser multifacetada, visando não apenas o controle de cada condição isoladamente, mas a redução do risco cardiovascular global. A paciente em questão apresenta um cenário complexo que exige intervenções imediatas e agressivas. O diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 é confirmado pelos valores de glicemia. A metformina é a droga de primeira escolha para o tratamento do DM2, especialmente em pacientes com sobrepeso/obesidade, devido à sua eficácia, segurança e benefícios cardiovasculares. Além disso, a hipertensão da paciente está descontrolada, necessitando da adição de um segundo anti-hipertensivo para atingir as metas pressóricas. A combinação de um IECA/BRA com um bloqueador de canal de cálcio ou diurético é uma estratégia comum e eficaz. É crucial reforçar a importância das mudanças no estilo de vida, mesmo que a paciente se recuse à cessação do tabagismo inicialmente. O residente deve estar apto a identificar e tratar agressivamente todos os fatores de risco modificáveis, compreendendo que o controle glicêmico, pressórico e lipídico são interdependentes e essenciais para melhorar o prognóstico e prevenir complicações macro e microvasculares.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2?

O diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 pode ser feito com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL em duas ocasiões, glicemia 2 horas após teste de tolerância à glicose oral (TTGO) ≥ 200 mg/dL, ou HbA1c ≥ 6,5%. No caso da paciente, a glicemia de jejum de 155 mg/dL e pós-sobrecarga de 249 mg/dL confirmam o diagnóstico.

Qual a primeira linha de tratamento farmacológico para DM2?

A metformina é a primeira linha de tratamento farmacológico para a maioria dos pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2, especialmente aqueles com sobrepeso ou obesidade. Ela atua principalmente reduzindo a produção hepática de glicose e aumentando a sensibilidade à insulina, com baixo risco de hipoglicemia e benefícios cardiovasculares.

Como abordar a hipertensão não controlada em pacientes com DM2?

Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e hipertensão não controlada, é fundamental intensificar a terapia anti-hipertensiva. Isso geralmente envolve a associação de um segundo ou terceiro fármaco, como um IECA/BRA, diurético tiazídico ou bloqueador do canal de cálcio, buscando atingir as metas pressóricas individualizadas para reduzir o risco cardiovascular e renal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo