INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um escolar com 8 anos, acompanhado da mãe, chega à unidade básica de saúde com queixa de estar muito cansado e sonolento. A mãe refere que, há aproximadamente 20 dias, ele vem perdendo peso (cerca de 5 kg). Ela relata ainda que o filho, embora tenha controle esfincteriano noturno desde os 5 anos, tem agora apresentado enurese noturna, desde o início do quadro. Conta também que, no mesmo período, passou a demonstrar apetite exagerado e que, há 5 dias, começou a apresentar dor abdominal de moderada intensidade, sem localização específica, intermitente, associada a náuseas e vômitos (1 vez ao dia). Ao exame físico, a criança se apresenta em regular estado geral, hipocorado (+1/+4), afebril, acianótico, mucosas secas, hipoativo, fácies de dor, normotenso. À ausculta pulmonar, não há ruídos adventícios; frequência respiratória de 50 incursões respiratórias por minuto, com movimentos respiratórios amplos; ausculta cardíaca sem alterações, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto; abdome doloroso à palpação profunda, com ruídos hidroaéreos presentes, sem massas ou visceromegalias.Após o manejo inicial, qual das opções a seguir apresenta o seguimento a longo prazo adequado para essa doença?
Escolar com polidipsia, poliúria, perda de peso e enurese noturna súbita → suspeitar DM1; manejo crônico exige apoio familiar.
O quadro clínico do escolar (cansaço, perda de peso, polifagia, enurese secundária, dor abdominal, náuseas/vômitos, taquipneia) é altamente sugestivo de cetoacidose diabética, complicação aguda do Diabetes Mellitus tipo 1. O manejo a longo prazo do DM1, uma doença crônica, depende fundamentalmente do apoio familiar para adesão ao tratamento e prevenção de complicações.
O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina. Em crianças e escolares, a apresentação clínica pode ser insidiosa ou aguda, muitas vezes culminando em cetoacidose diabética (CAD), uma emergência médica grave. Sintomas como poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, cansaço e enurese noturna secundária são indicativos e devem levantar alta suspeita para o diagnóstico. O manejo do DM1 é complexo e crônico, exigindo uma abordagem multidisciplinar e contínua. A terapia com insulina é o pilar do tratamento, mas a educação em saúde e o apoio familiar são igualmente fundamentais. A família desempenha um papel central na adesão ao regime terapêutico, que inclui monitoramento glicêmico frequente, ajuste de doses de insulina, planejamento alimentar e incentivo à atividade física. A compreensão da doença e a capacidade de gerenciar as rotinas diárias são essenciais para evitar complicações agudas e crônicas. Para o residente, é vital reconhecer os sinais de DM1 e CAD, iniciar o manejo adequado e, principalmente, orientar a família sobre a natureza crônica da doença e a necessidade de um suporte contínuo. A promoção de um estilo de vida saudável e a prevenção de complicações a longo prazo dependem diretamente da educação do paciente e de sua rede de apoio, garantindo uma melhor qualidade de vida e prognóstico para a criança com DM1.
Os sinais clássicos incluem poliúria (aumento da frequência urinária), polidipsia (sede excessiva), polifagia (aumento do apetite) e perda de peso inexplicada. Em crianças, a enurese noturna secundária e o cansaço também são comuns.
O DM1 exige manejo diário complexo, incluindo monitoramento glicêmico, administração de insulina, contagem de carboidratos e atividade física. O apoio familiar garante a adesão a essas rotinas, a identificação precoce de hipo/hiperglicemias e a promoção de um estilo de vida saudável, prevenindo complicações.
A principal complicação aguda é a cetoacidose diabética (CAD), que pode ser fatal. As complicações crônicas incluem retinopatia, nefropatia, neuropatia, doenças cardiovasculares e atraso no crescimento, se o controle glicêmico não for adequado.
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