DM1 na Infância: Diferenciando Hipoglicemia e Cetoacidose

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023

Enunciado

Em relação à diabetes melito tipo 1 na infância, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A análise da HbA1c tem uma série de vantagens em relação à glicemia de jejum, uma vez que reflete hiperglicemia crônica, não necessita de jejum e apresenta menor variabilidade em períodos de estresse ou doença intercorrente.
  2. B) A hipoglicemia é a complicação aguda mais comum no tratamento do DM1.
  3. C) Apresenta maior risco de desenvolver doenças autoimunes associadas, como a tireoidite de Hashimoto e o hipotireoidismo, por isso recomenda-se avaliação da função tireoidiana a cada 1-2 anos ou quando houver sintomas.
  4. D) Dentre os sinais e sintomas de hipoglicemia, estão palidez cutânea, hiperventilação, poliúria, polidipsia e hálito cetônico.
  5. E) Na cetoacidose diabética, a glicemia normalmente está acima de 250 mg/dL, e o pH plasmático, abaixo de 7,3.

Pérola Clínica

Hipoglicemia ≠ Hiperglicemia/Cetoacidose: Poliúria, polidipsia, hálito cetônico são de hiperglicemia/CAD.

Resumo-Chave

A alternativa D descreve sintomas de hiperglicemia e cetoacidose diabética (poliúria, polidipsia, hálito cetônico, hiperventilação - Kussmaul), e não de hipoglicemia. Os sintomas de hipoglicemia incluem palidez, sudorese, tremores, taquicardia, tontura, confusão mental e, em casos graves, convulsões e coma.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) na infância é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina. O manejo é complexo e visa manter o controle glicêmico para prevenir complicações agudas e crônicas. A hipoglicemia é a complicação aguda mais comum do tratamento do DM1, e seus sintomas são neuroglicopênicos (confusão, tontura, convulsões) e autonômicos (sudorese, tremores, taquicardia, palidez). É crucial diferenciar esses sintomas dos de hiperglicemia e cetoacidose diabética (CAD), que incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, hálito cetônico e respiração de Kussmaul (hiperventilação). A CAD é uma emergência médica com glicemia > 250 mg/dL e pH < 7,3. A monitorização da HbA1c é fundamental, pois reflete o controle glicêmico médio e não é afetada por estresse agudo ou jejum. Além disso, crianças com DM1 têm maior risco de outras doenças autoimunes, como tireoidopatias, justificando o rastreamento periódico da função tireoidiana.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos de hipoglicemia em crianças com DM1?

Os sintomas incluem palidez, sudorese, tremores, taquicardia, irritabilidade, fome súbita, tontura, confusão mental e, em casos graves, convulsões ou perda de consciência.

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética (CAD)?

Os critérios incluem glicemia > 250 mg/dL, pH plasmático < 7,3, bicarbonato sérico < 15 mEq/L e presença de cetonúria e/ou cetonemia.

Por que a HbA1c é vantajosa na avaliação do DM1?

A HbA1c reflete a média da glicemia nos últimos 2-3 meses, não exige jejum, tem menor variabilidade diária e é um excelente indicador do controle glicêmico a longo prazo, sendo crucial para monitorar o risco de complicações crônicas.

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