DM2 e DRC: Adicionar Inibidor de SGLT2 para Nefroproteção

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Médico de família e comunidade em Unidade de Saúde da Família atende paciente do sexo feminino, branca, com 65 anos de idade e história de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2. A paciente vem para consulta de rotina com queixa de edema de MMII discreto. Usa losartana 50 mg/dia, anlodipino 5 mg/dia e metformina XR 500 mg/dia. No exame físico, você identifica paciente em bom estado geral, pesando 68 kg, FC = 78 bpm, PA = 128 x 82 mmHg. Ao exame clínico sem alterações, exceto por edema bilateral de MMII +1/+4 sem sinais de TVP Ela traz resultados de exames laboratoriais solicitados na última consulta: glicemia de jejum: 112 mg/dL; HbA1C: 7%; creatinina: 2,0 mg/dL; sódio: 138 mEq/L; potássio: 4,0 mEq/L; relação albuminúria/creatinúria: 360 mg/g. Além de orientar alimentação adequada e exercícios físicos regulares, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Manter as medicações prescritas nas mesmas doses, repetir os exames e reavaliar em 1 mês.
  2. B) Substituir a metformina por glibenclamida e manter as demais medicações prescritas.
  3. C) Suspender a losartana e elevar a dose do anlodipino para 5 mg de 12/12h.
  4. D) Acrescentar um inibidor de SGLT2 (gliflozina) ao tratamento atual.
  5. E) Suspender o anlodipino e elevar a dose da losartana para 50 mg de 12/12h.

Pérola Clínica

DM2 + HAS + DRC (albuminúria) → Adicionar iSGLT2 (gliflozina) para nefroproteção e controle glicêmico.

Resumo-Chave

Paciente com HAS, DM2 e Doença Renal Crônica (creatinina 2,0 mg/dL, albuminúria 360 mg/g) em uso de losartana e anlodipino, com glicemia e HbA1C subótimas, deve ter um inibidor de SGLT2 (gliflozina) adicionado ao tratamento para nefroproteção e controle glicêmico, conforme as diretrizes atuais.

Contexto Educacional

Pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) frequentemente desenvolvem doença renal crônica (DRC), uma complicação grave que aumenta o risco cardiovascular e de progressão para doença renal terminal. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multifacetada, visando não apenas o controle glicêmico e pressórico, mas também a proteção renal e cardiovascular. A paciente em questão apresenta DM2, HAS e DRC com albuminúria significativa (360 mg/g), apesar do uso de losartana (um bloqueador do receptor de angiotensina, essencial para nefroproteção) e anlodipino. A HbA1C de 7% indica um controle glicêmico subótimo, e a creatinina de 2,0 mg/dL confirma a disfunção renal. As diretrizes atuais (2024-2025) enfatizam a importância de adicionar inibidores de SGLT2 (gliflozinas) ao tratamento de pacientes com DM2 e DRC, independentemente do controle glicêmico ou do uso de iECA/BRA. Essas drogas demonstraram robustos benefícios na redução da progressão da DRC, diminuição de eventos cardiovasculares e mortalidade. Manter as medicações atuais sem otimização ou substituir a metformina por glibenclamida (com maior risco de hipoglicemia e sem benefício renal) seria uma conduta inadequada. Ajustar apenas as doses dos anti-hipertensivos também não abordaria a necessidade de nefroproteção adicional.

Perguntas Frequentes

Quais são os benefícios dos inibidores de SGLT2 em pacientes com DM2 e DRC?

Os inibidores de SGLT2 (gliflozinas) demonstraram reduzir a progressão da doença renal crônica, diminuir eventos cardiovasculares e melhorar o controle glicêmico em pacientes com DM2 e DRC, independentemente do controle glicêmico inicial.

Quando se deve considerar a adição de um inibidor de SGLT2?

A adição de um inibidor de SGLT2 é recomendada para pacientes com DM2 e DRC (taxa de filtração glomerular estimada > 20-30 mL/min/1.73m² e/ou albuminúria), mesmo que já estejam em uso de iECA/BRA.

Por que a metformina não deve ser suspensa imediatamente em DRC leve a moderada?

A metformina pode ser mantida em pacientes com DRC leve a moderada (TFG > 30 mL/min/1.73m²) com ajuste de dose, devido aos seus benefícios e baixo risco de hipoglicemia. A glibenclamida, por outro lado, tem maior risco de hipoglicemia e não oferece proteção renal.

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