Diabetes Mellitus: Diagnóstico, Tratamento e Fatores de Risco

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Paciente sexo feminino, 53 anos, tem se sentido cansada nos últimos meses. Pratica academia há uns 5 anos, desde a recuperação de uma crise diagnosticada como Transtorno Afetivo Bipolar. Está em uso de Risperidona 2mg/noite, Carbamazepina 200mg 12/12h, Glicosamina + Condroitina. Na consulta de 1 mês atrás, apresentava PA de 130/60, peso: 64kg e altura: 1,60m. Hoje retorna com resultados de exames: Glicemia de jejum: 178; Colesterol total: 220; HDL: 40; TSH: 3,5; Creatinina: 0,7 e peso: 62kg. Considerando as características clínicas da paciente, analise cada afirmativa se é verdadeira (V) ou falsa (F). I) Para confirmar ou afastar o diagnóstico de Diabetes Mellitus, é necessário solicitar o exame de Hemoglobina Glicosilada. II) O uso de glicosamina e de risperidona pode estar contribuindo para a hiperglicemia da paciente. III) Está indicado o início de metformina e reavaliação da glicemia em 1 mês. IV) Recomenda-se a cessação do exercício físico para evitar maior perda ponderal até conseguir controle glicêmico. V) Como o cansaço pode ser consequência da dislipidemia, está indicado iniciar estatina. Escolha a alternativa com a sequência correta de verdadeira (V) ou falsa (F).

Alternativas

  1. A)  V, V, F, F, F.
  2. B)  F, V, V, F, F.
  3. C)  F, F, V, V, F.
  4. D)  F, F, F, V, V.
  5. E)  V, F, F, F, V.

Pérola Clínica

Glicemia jejum ≥ 126 mg/dL = DM. Antipsicóticos atípicos e glicosamina podem induzir hiperglicemia. Metformina é 1ª linha.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Diabetes Mellitus pode ser feito com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL (confirmada). Medicamentos como risperidona e glicosamina podem impactar o metabolismo da glicose. A metformina é a terapia de primeira linha para DM tipo 2, e o exercício físico é crucial, não devendo ser interrompido.

Contexto Educacional

O caso apresenta uma paciente com múltiplos fatores de risco e achados laboratoriais sugestivos de Diabetes Mellitus (DM) e dislipidemia, além de estar em uso de medicações que podem influenciar o metabolismo. A glicemia de jejum de 178 mg/dL é um valor diagnóstico para DM, necessitando de confirmação por outro exame (outra glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose ou hemoglobina glicada - HbA1c). A HbA1c é um critério diagnóstico e excelente para monitoramento, mas não é o *único* exame 'necessário' para confirmar o DM se já há uma glicemia de jejum alterada. É fundamental reconhecer que alguns medicamentos, como os antipsicóticos atípicos (ex: risperidona), são conhecidos por induzir ganho de peso, resistência à insulina e hiperglicemia. A glicosamina, embora menos comum, também pode elevar os níveis glicêmicos em alguns indivíduos. Portanto, a hiperglicemia da paciente pode ser multifatorial. O tratamento inicial para DM tipo 2 geralmente envolve mudanças no estilo de vida e metformina, que é a droga de primeira linha. O exercício físico é uma intervenção crucial para o controle glicêmico e ponderal, e sua cessação seria contraindicada. A dislipidemia presente (colesterol total 220, HDL 40) indica a necessidade de avaliação do risco cardiovascular e possível início de estatina, mas o cansaço é um sintoma inespecífico e não a principal justificativa para iniciar a estatina.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Diabetes Mellitus?

Os critérios incluem glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL (em duas ocasiões), glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, glicemia ≥ 200 mg/dL após 2h de TOTG, ou HbA1c ≥ 6,5%. É importante confirmar o diagnóstico com um segundo teste, se não houver sintomas claros.

Quais medicamentos podem causar hiperglicemia?

Diversos medicamentos podem induzir ou agravar a hiperglicemia, incluindo antipsicóticos atípicos (como risperidona), glicocorticoides, diuréticos tiazídicos, betabloqueadores e, em alguns casos, suplementos como a glicosamina.

Qual a conduta inicial para um paciente com Diabetes Mellitus recém-diagnosticado?

A conduta inicial envolve mudanças no estilo de vida (dieta saudável e exercício físico regular) e, na maioria dos casos de DM tipo 2, o início de metformina como terapia farmacológica de primeira linha, ajustando a dose conforme a tolerância e o controle glicêmico.

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