SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Homem de 56 anos, tabagista, hipertenso há 5 anos, descobriu ter Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) há 1 ano, em exames de rotina. Recentemente, iniciou dor precordial em aperto, aos grandes esforços, com irradiação para o pescoço, intensidade moderada, que alivia com o repouso. Faz uso de losartana 100 mg/dia, AAS 100 mg/dia e há 3 meses ajustou posologia da metformina para 850 mg 3 vezes ao dia. Ganhou 3 kg nos últimos 6 meses e reconhece exagerar nos carboidratos. Ao exame físico: bom estado geral, eupneico, acantose nigricans e acrocórdons cervicais, pressão arterial 110/70 mmHg, frequência cardíaca 68 bpm, IMC 29 kg/m², circunferência abdominal 98 cm, ausculta cardiopulmonar fisiológica, sem edemas. Os exames laboratoriais evidenciaram hemoglobina 13,6 g/dL, creatinina 0,9 mg/dL, glicemia de jejum 166 mg/dL, HbA1c 8,0%. Para tratamento do DM2 desse paciente, qual a conduta mais adequada?
DM2 com DAC e HbA1c 8% em metformina → associar agonista GLP-1 (liraglutida) para benefício cardiovascular.
O paciente apresenta DM2 com controle glicêmico inadequado (HbA1c 8%) e doença cardiovascular aterosclerótica (angina estável). As diretrizes atuais recomendam, nesses casos, a adição de um agonista do receptor de GLP-1 (como liraglutida) ou um inibidor de SGLT2, devido aos seus benefícios cardiovasculares e renais comprovados, além do controle glicêmico.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica (DAC) estabelecida, como angina estável, exige uma abordagem que vá além do simples controle glicêmico. As diretrizes atuais enfatizam a importância de medicamentos que ofereçam benefícios cardiovasculares e renais, além de reduzir a HbA1c. O paciente em questão apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular e uma HbA1c de 8,0%, indicando controle glicêmico inadequado apesar do uso de metformina em dose otimizada. Nesse cenário, a adição de um agonista do receptor de GLP-1, como a liraglutida, é a conduta mais apropriada. Essa classe de medicamentos demonstrou, em grandes estudos de desfechos cardiovasculares, reduzir o risco de eventos cardiovasculares maiores (MACE), hospitalizações por insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular. Além disso, os agonistas de GLP-1 promovem perda de peso e têm baixo risco de hipoglicemia, características vantajosas para este paciente. Outra classe de medicamentos com benefícios cardiovasculares e renais comprovados são os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2). A escolha entre um agonista de GLP-1 e um inibidor de SGLT2 pode depender de fatores individuais do paciente, como preferência por via de administração (injetável vs. oral), perfil de efeitos adversos e comorbidades específicas. O importante é priorizar agentes com evidências de proteção cardiovascular e renal em pacientes de alto risco.
O paciente é tabagista, hipertenso, tem DM2, IMC elevado (sobrepeso/obesidade), circunferência abdominal aumentada e apresenta quadro de angina estável, indicando doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida.
A liraglutida, um agonista do receptor de GLP-1, é recomendada para pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, pois demonstrou reduzir eventos cardiovasculares maiores, além de promover perda de peso e controle glicêmico.
Além dos agonistas de GLP-1, os inibidores de SGLT2 também são fortemente recomendados para pacientes com DM2 e DAC, devido aos seus benefícios cardiovasculares e renais comprovados, independentemente do controle glicêmico inicial.
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