UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022
Idosa de 78 anos procura a UBS com queixa de tonteira, após ter sido atendida na Unidade de Pronto Atendimento no último fim de semana. Refere diabetes há pelo menos 15 anos, tabagismo de 20 maços/ano e uso regular de metformina 850mg 3x/dia, mas não faz dieta. Ao exame físico, apresenta obesidade grau II e pressão arterial de 120 x 80mmHg. Na consulta, apresentou os seguintes exames: glicemia = 158mg/dL, HbA1c = 8%; colesterol total = 238mg/dL, HDL = 35mg/dL e LDL = 135mg/dL; ecocardiograma com disfunção ventricular esquerda, fração de ejeção de 47%, TFG de 58mL/min/1,73 e microalbuminúria. Quanto à abordagem terapêutica e as medidas preventivas e/ou de rastreamento das complicações nessa paciente, a conduta mais adequada é:
Idoso diabético com dislipidemia e ICFER tem alto risco cardiovascular → iniciar estatina é prioritário.
Pacientes idosos com diabetes mellitus, dislipidemia, insuficiência cardíaca e múltiplos fatores de risco cardiovascular (tabagismo, obesidade, DRC leve) possuem um risco cardiovascular muito elevado. A terapia com estatina é fundamental para a prevenção secundária e primária de eventos cardiovasculares nesses pacientes, independentemente dos níveis de LDL-C, e deve ser iniciada prontamente.
O manejo do diabetes mellitus tipo 2 em pacientes idosos com múltiplas comorbidades, como dislipidemia, insuficiência cardíaca e doença renal crônica leve, é complexo e exige uma abordagem individualizada. O foco principal deve ser a redução do risco cardiovascular global, que é a principal causa de morbimortalidade nessa população. A dislipidemia, caracterizada por colesterol total elevado, HDL baixo e LDL elevado, é um fator de risco cardiovascular modificável. A presença de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) e tabagismo aumenta ainda mais esse risco. Nesses pacientes, a terapia com estatina de alta intensidade é fortemente recomendada para a prevenção de eventos cardiovasculares, independentemente dos níveis de LDL-C. Além do controle lipídico, outras medidas importantes incluem a cessação do tabagismo, controle da pressão arterial, otimização do tratamento da insuficiência cardíaca e educação para o autocuidado. A meta de HbA1c em idosos deve ser individualizada, visando evitar hipoglicemia, e pode ser menos rigorosa do que em adultos jovens.
A terapia com estatina é crucial para reduzir o risco de eventos cardiovasculares (infarto, AVC) em diabéticos, especialmente aqueles com múltiplos fatores de risco ou doença cardiovascular estabelecida, como a paciente do caso.
Em idosos frágeis ou com múltiplas comorbidades, a meta de HbA1c pode ser menos rigorosa, geralmente entre 7,5% e 8,0%, para evitar hipoglicemia e seus riscos associados.
A aspirina em baixas doses é indicada para prevenção secundária (após um evento cardiovascular). Para prevenção primária em diabéticos, seu benefício é mais limitado e o risco de sangramento pode superar os benefícios, sendo a estatina a principal intervenção.
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