Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Considere o caso de uma paciente do sexo feminino, portadora de diabetes mellitus tipo 2 há alguns anos. Tem ainda antecedentes de hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, em decorrência de miocardiopatia hipertensiva. Medicação em uso para diabetes: metformina XR 2.000 mg/dia. Exames laboratoriais: glicemia de jejum = 162 mg/dL, HbA1c = 7,9% e função renal dentro da normalidade. Exame físico: IMC: 26,1 kg/m² , auscultas cardíaca e pulmonar normais. Assinale a alternativa que apresenta a medicação melhor indicada para o controle glicêmico dessa paciente.
DM2 + IC → Inibidores SGLT2 (Empagliflozina) são preferenciais por benefícios cardiorrenais.
Em pacientes com DM2 e insuficiência cardíaca, os inibidores de SGLT2, como a empagliflozina, são a classe de medicamentos preferencial devido aos seus comprovados benefícios cardiovasculares e renais, além do controle glicêmico.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em pacientes com comorbidades cardiovasculares, como a insuficiência cardíaca (IC), exige uma abordagem que vá além do simples controle glicêmico. As diretrizes atuais enfatizam a escolha de medicamentos que ofereçam benefícios cardiovasculares e renais adicionais, visando melhorar o prognóstico e a qualidade de vida desses pacientes. A metformina continua sendo a terapia de primeira linha para a maioria dos pacientes com DM2, desde que não haja contraindicações. No entanto, para pacientes com DM2 e insuficiência cardíaca, especialmente aqueles com fração de ejeção reduzida, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), como a empagliflozina, dapagliflozina e canagliflozina, são fortemente recomendados. Esses medicamentos demonstraram em estudos de desfechos cardiovasculares uma redução significativa nas hospitalizações por IC, eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) e mortalidade cardiovascular, independentemente do controle glicêmico. Seus mecanismos de ação incluem a promoção da glicosúria e natriurese, levando à redução da pressão arterial, peso e volume intravascular, além de efeitos diretos no miocárdio e nos rins. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados com as diretrizes de tratamento do DM2, que priorizam a proteção cardiovascular e renal em pacientes de alto risco. A escolha da terapia deve ser individualizada, considerando as comorbidades, o perfil de segurança dos medicamentos e as preferências do paciente. A empagliflozina, especificamente, tem um forte corpo de evidências para o benefício em pacientes com DM2 e IC, tornando-a uma opção terapêutica superior em muitos cenários clínicos.
A empagliflozina, um inibidor de SGLT2, demonstrou em grandes estudos clínicos reduzir significativamente o risco de hospitalização por insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular em pacientes com DM2 e doença cardiovascular estabelecida ou insuficiência cardíaca.
Os inibidores de SGLT2 atuam promovendo glicosúria e natriurese, o que leva à redução da pré-carga e pós-carga cardíaca, melhora da função endotelial, redução da inflamação e fibrose miocárdica, e otimização do metabolismo energético cardíaco.
Além dos inibidores de SGLT2, os agonistas do receptor de GLP-1 com benefícios cardiovasculares comprovados também são recomendados para pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida.
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