UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 50 anos, com história de HAS e diabetes mellitus tipo 2 (DM2) há 10 anos, IMC = 30 kg/m², está em uso de metformina, enalapril e hidroclorotiazida. A pressão arterial (PA) está controlada e os exames laboratoriais apresentam hemoglobina glicada = 8,5%, creatinina = 1,4 mg/dL e hemoglobina = 12,5 g/dL. A melhor opção terapêutica visando a redução de mortalidade nesse caso deve ser:
DM2 + Doença CV estabelecida ou Alto Risco → iSGLT2 ou análogo GLP-1 (Liraglutida) para ↓ mortalidade.
Em pacientes com DM2 e alto risco cardiovascular, a escolha terapêutica deve priorizar drogas com benefício comprovado em desfechos duros (MACE), como os análogos de GLP-1 e inibidores de SGLT2.
O tratamento do Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) sofreu uma mudança de paradigma: do foco exclusivo na glicocentrismo para a proteção de órgãos-alvo. Pacientes com obesidade (IMC 30) e alto risco cardiovascular (ou doença estabelecida) devem receber terapias que comprovadamente reduzam a mortalidade. A Liraglutida atua mimetizando o hormônio incretínico GLP-1, promovendo secreção de insulina glicose-dependente e supressão do glucagon. Sua indicação neste caso é fundamentada pelas diretrizes da ADA e SBD, que recomendam análogos de GLP-1 para pacientes com necessidade de redução de risco cardiovascular e controle ponderal, superando opções como pioglitazona (risco de IC e ganho de peso) ou insulina isolada nesta fase do tratamento.
A Liraglutida, um análogo do receptor de GLP-1, demonstrou no estudo LEADER uma redução significativa em eventos cardiovasculares maiores (MACE), que incluem morte cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal e acidente vascular cerebral não fatal. Além disso, promove perda de peso sustentada através do retardo do esvaziamento gástrico e aumento da saciedade central, melhora o perfil lipídico e possui efeitos nefroprotetores, reduzindo a progressão da albuminúria em pacientes diabéticos.
Embora ambas as classes reduzam o risco cardiovascular, os análogos de GLP-1 (como Liraglutida e Semaglutida) são frequentemente preferidos quando o objetivo principal é a perda de peso significativa ou quando o paciente possui contraindicações aos iSGLT2 (como infecções fúngicas genitais recorrentes ou risco de amputação). Por outro lado, os iSGLT2 são a primeira escolha em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida ou doença renal crônica com proteinúria importante.
Para um paciente relativamente jovem (50 anos) e com longa duração de doença, mas sem complicações debilitantes graves, a meta de HbA1c geralmente é em torno de 7,0%. No entanto, o tratamento deve ser individualizado. No caso apresentado, com HbA1c de 8,5%, o paciente está fora da meta, justificando a intensificação terapêutica com drogas que, além de baixar a glicose, ofereçam proteção cardiovascular e auxiliem no manejo do IMC elevado.
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