SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Uma escolar de 8 anos de idade foi levada à emergência por seus pais com queixa de poliúria, polidipsia e perda de peso há duas semanas. Referiu ainda náuseas e vômitos há um dia. Ao exame físico, apresenta-se emagrecida, desidratada (+++/4+), taquicárdica, com dor abdominal. FC = 140 bpm, FR = 30 irpm, SatO2 = 97% em ar ambiente e glicemia capilar = 450 mg/dL. De acordo com as diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), assinale a alternativa correspondente a criança ou adolescente que deve ser rastreado para diabetes tipo 2.
Rastrear DM2 em crianças se: Sobrepeso (IMC > p85) + ≥1 fator de risco (ex: história familiar).
O rastreamento de DM2 em pediatria é indicado para crianças com sobrepeso ou obesidade que possuam fatores de risco adicionais, iniciando geralmente aos 10 anos ou na puberdade.
O diagnóstico diferencial entre DM1 e DM2 em jovens pode ser desafiador. Enquanto o DM1 costuma apresentar-se com perda de peso rápida e cetose (como a criança de 8 anos do enunciado), o DM2 está fortemente ligado à obesidade e sinais de resistência insulínica. O rastreamento precoce em grupos de risco permite intervenções no estilo de vida que podem prevenir complicações crônicas micro e macrovasculares.
De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da ADA, o rastreamento para Diabetes Tipo 2 deve ser considerado em crianças e adolescentes que apresentam sobrepeso (IMC > percentil 85 para idade e sexo) ou obesidade (IMC > percentil 95), associado a pelo menos um fator de risco adicional. Esses fatores incluem: história familiar de DM2 em parentes de primeiro ou segundo grau, etnia de alto risco, sinais de resistência insulínica (como acantose nigricans, hipertensão, dislipidemia ou síndrome dos ovários policísticos) ou história materna de diabetes ou diabetes gestacional durante a gestação da criança.
O rastreamento geralmente deve ser iniciado aos 10 anos de idade ou no início da puberdade, o que ocorrer primeiro. Se os testes iniciais forem normais, o rastreamento deve ser repetido a cada 3 anos, ou mais frequentemente se houver um aumento significativo no IMC ou piora do perfil de risco clínico. É importante notar que, embora o DM1 seja mais comum em crianças, a epidemia de obesidade infantil tornou o DM2 uma realidade crescente nos consultórios de pediatria.
Os exames recomendados para o rastreamento de DM2 em crianças e adolescentes são os mesmos utilizados em adultos: glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75g de glicose ou a hemoglobina glicada (HbA1c). Embora a HbA1c seja prática, alguns especialistas preferem a glicemia de jejum ou o TOTG em pediatria devido a variações na correlação da glicada com a glicemia média em populações jovens, mas todos são aceitos pelas diretrizes atuais.
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