Manejo do DM2: Rastreamento de Complicações na Atenção Primária

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Joana tem 58 anos, é hipertensa, dislipidêmica, diabética do tipo 2 e encontra-se acima do peso. Está há dois anos sem consultar ou fazer qualquer exame, apenas compra sua medicação na farmácia perto de casa. Faz uso de metformina e anlodipina. A pedido da sua filha procurou o médico generalista do Centro de Saúde perto da sua casa. Após a consulta, o médico pactuou com a paciente um plano de cuidados com várias ações a serem desenvolvidas. Entre as alternativas abaixo, assinale aquela que deveria fazer parte do plano de cuidados da Dona Joana:

Alternativas

  1. A)  Rastreamento de nefropatia diabética por meio da pesquisa de proteinúria em fita de urinálise.
  2. B)  Rastreamento de retinopatia diabética por meio da tabela de Snellen.
  3. C)  Manutenção do antihipertensivo utilizado e acréscimo de um diurético.
  4. D)  Orientar o cuidado com os pés e fazer avaliação da sensibilidade com monofilamento de 10g.

Pérola Clínica

DM2 → Rastreio anual de neuropatia (monofilamento 10g) e nefropatia (albuminúria/creatinina) desde o diagnóstico.

Resumo-Chave

O rastreamento de complicações microvasculares no DM2 deve ser anual, iniciando no diagnóstico. A avaliação dos pés com monofilamento de 10g é essencial para identificar perda de sensibilidade protetora.

Contexto Educacional

O manejo do paciente com Diabetes Mellitus Tipo 2 na Atenção Primária exige uma abordagem multidimensional. Além do controle glicêmico (HbA1c), é imperativo o rastreamento sistemático de complicações microvasculares. A neuropatia periférica é uma das complicações mais comuns e o principal fator de risco para úlceras e amputações, sendo o teste do monofilamento de 10g o padrão-ouro para triagem clínica. A nefropatia deve ser monitorada via albuminúria, e a retinopatia via fundoscopia por especialista. O plano de cuidados deve ser pactuado, focando em mudanças de estilo de vida e farmacoterapia otimizada para redução de risco cardiovascular.

Perguntas Frequentes

Como é feito o rastreio de nefropatia diabética?

O rastreio inicial no DM2 deve ser feito anualmente a partir do diagnóstico através da relação albumina/creatinina em amostra isolada de urina (RAC) ou albuminúria de 24 horas. A fita reagente comum não é sensível o suficiente para detectar microalbuminúria, que é o marcador precoce de lesão renal. Valores de RAC entre 30-300 mg/g sugerem microalbuminúria, exigindo confirmação em duas de três amostras num período de 3 a 6 meses.

Qual a periodicidade do exame de fundo de olho no DM2?

Diferente do DM1, onde o rastreio inicia após 5 anos do diagnóstico, no DM2 o primeiro exame de fundo de olho deve ser realizado logo no momento do diagnóstico. Isso ocorre porque o tempo de hiperglicemia assintomática pré-diagnóstico é incerto. Se o exame for normal, a repetição deve ser anual ou a cada 2 anos, dependendo do controle glicêmico e estabilidade do quadro.

Como realizar o teste do monofilamento de 10g?

O teste avalia a sensibilidade protetora plantar. Deve-se aplicar o monofilamento perpendicularmente à superfície da pele em pontos específicos (como o hálux e metatarsos), exercendo pressão suficiente para que o filamento curve. O paciente deve estar de olhos fechados e responder se sente o toque. A ausência de sensibilidade em qualquer ponto indica perda de sensibilidade protetora e alto risco de ulceração.

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