SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Uma mulher de 58 anos com diagnóstico de diabetes tipo 2 há 8 anos procura atendimento para ajuste do tratamento. Ela tem histórico de hipertensão e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (IC-FER). Atualmente, usa metformina 1000 mg duas vezes ao dia, mas seu controle glicêmico permanece inadequado, com HbA1c de 8,0%. Exames laboratoriais mostram função renal preservada (eTFG de 75 mL/min/1,73 m²).Diante do histórico de insuficiência cardíaca e do perfil glicêmico atual, qual seria a melhor opção terapêutica para adicionar ao esquema, de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)?
DM2 + IC-FER + HbA1c ↑ → Adicionar Inibidor SGLT-2 para benefícios glicêmicos e CV.
Em pacientes com diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (IC-FER), os inibidores de SGLT-2 são a classe de medicamentos de segunda linha preferencial, devido aos seus comprovados benefícios na redução de eventos cardiovasculares e hospitalizações por IC, além do controle glicêmico.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em pacientes com comorbidades cardiovasculares, como a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (IC-FER), exige uma abordagem terapêutica que vá além do simples controle glicêmico. A epidemiologia mostra que DM2 e IC-FER frequentemente coexistem, aumentando significativamente a morbimortalidade. As diretrizes atuais, incluindo as da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), enfatizam a importância de medicamentos com benefícios cardiovasculares e renais comprovados nesses pacientes. A fisiopatologia da IC-FER no DM2 é multifatorial, envolvendo disfunção endotelial, inflamação, fibrose miocárdica e alterações metabólicas. O diagnóstico de DM2 com controle glicêmico inadequado (HbA1c de 8,0%) e IC-FER estabelecida direciona a escolha de uma terapia adjuvante à metformina. É crucial suspeitar de piora do controle glicêmico ou da IC quando há sintomas como dispneia, fadiga ou edema, mesmo em uso de medicação. Nesse cenário, os inibidores de SGLT-2 (cotransportador de sódio-glicose 2), como dapagliflozina e empagliflozina, são a escolha preferencial. Eles atuam promovendo glicosúria e natriurese, o que leva a uma redução da pré-carga e pós-carga cardíaca, melhora da função renal e efeitos anti-inflamatórios. Seus benefícios na redução de hospitalizações por IC e eventos cardiovasculares maiores são robustos e independentes do efeito na HbA1c. O prognóstico dos pacientes com DM2 e IC-FER é significativamente melhorado com a introdução precoce desses agentes, tornando-os uma pedra angular no tratamento moderno.
Inibidores de SGLT-2 demonstraram em grandes estudos clínicos reduzir significativamente o risco de hospitalizações por insuficiência cardíaca e eventos cardiovasculares maiores em pacientes com DM2 e IC-FER, independentemente do controle glicêmico.
Seus mecanismos incluem diurese osmótica (redução de pré-carga), melhora da função renal, redução da pressão arterial, melhora do metabolismo cardíaco (utilização de corpos cetônicos), e efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos.
Além dos inibidores de SGLT-2, os agonistas do receptor de GLP-1 também são fortemente recomendados para pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, devido aos seus benefícios cardiovasculares comprovados.
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