DM2 Descompensado: Início da Insulinoterapia Basal

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Osvaldo, de 59 anos de idade, em acompanhamento de diabetes melito tipo 2 com médico de família e comunidade, compareceu à consulta de rotina. Está tomando o teto das doses de metformina e glibenclamida, com boa adesão. Além disso, como adotou as mudanças de estilo de vida recomendadas pela equipe, está no peso ideal. Entre os exames solicitados, identificou-se HbA1C = 10,2.No caso clínico acima, a conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) orientar dosagem de glicemia capilar em jejum e após refeições, bem como administrar insulina regular 4 U, caso esteja alterada.
  2. B) orientar dosagem de glicemia capilar, no jejum e antes das refeições, e encaminhar o paciente ao endocrinologista.
  3. C) iniciar insulina NPH 10 U antes de dormir, iniciar controle de glicemia capilar e orientar retornos em intervalos breves, para ajustes de dose.
  4. D) iniciar insulina NPH 0,2 U/kg ao acordar e insulina regular 2 U após refeições, se a glicemia capilar estiver alterada.
  5. E) encaminhar o paciente ao endocrinologista, para avaliação do melhor esquema de insulinoterapia para ele, e retirar a metformina do esquema terapêutico.

Pérola Clínica

DM2 descompensado (HbA1c > 9-10%) em terapia oral máxima → iniciar insulina basal (NPH noturna) e titular dose.

Resumo-Chave

Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 que permanecem com HbA1c elevada (>9-10%) apesar da terapia oral máxima e boa adesão, a insulinoterapia é indicada. A insulina NPH noturna é uma estratégia inicial eficaz para controlar a glicemia de jejum e reduzir a HbA1c, com titulação baseada em monitorização.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva, caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. A epidemiologia mostra uma prevalência crescente globalmente, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade por complicações micro e macrovasculares. A importância clínica reside no controle glicêmico rigoroso para prevenir ou retardar essas complicações. A fisiopatologia do DM2 envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Quando os agentes orais (como metformina, que reduz a produção hepática de glicose, e glibenclamida, que estimula a secreção de insulina) não são suficientes para manter o controle glicêmico (HbA1c elevada, como 10,2% no caso), a disfunção das células beta está avançada, e a insulinoterapia se torna necessária. O diagnóstico de descompensação é feito pela HbA1c fora da meta, mesmo com tratamento otimizado. O tratamento do DM2 descompensado com falha da terapia oral geralmente envolve a introdução de insulina. A insulina NPH (protamina neutra Hagedorn) é uma insulina de ação intermediária, frequentemente iniciada em dose única noturna para controlar a glicemia de jejum. O prognóstico melhora com o controle glicêmico adequado, e a titulação da dose de insulina é crucial, baseada na monitorização da glicemia capilar e retornos frequentes para ajustes, visando atingir as metas individuais de HbA1c sem induzir hipoglicemia.

Perguntas Frequentes

Quando a insulinoterapia é indicada para DM2?

A insulinoterapia é indicada para DM2 quando a HbA1c permanece acima da meta apesar do uso de doses máximas de múltiplos agentes orais, em casos de descompensação aguda (cetoacidose, estado hiperosmolar), ou em pacientes com sintomas de hiperglicemia grave.

Qual o papel da insulina NPH noturna no DM2?

A insulina NPH administrada antes de dormir atua como uma insulina basal, controlando a produção hepática de glicose durante a noite e a glicemia de jejum, sendo uma estratégia inicial comum para intensificar o tratamento do DM2.

Como titular a dose de insulina NPH?

A dose de insulina NPH é titulada com base nas glicemias capilares de jejum. Geralmente, a dose é ajustada em 2-4 unidades a cada 2-3 dias até que a glicemia de jejum atinja a meta individual do paciente, evitando hipoglicemia.

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