UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020
Paciente de 68 anos, diabética há 10 anos, em uso de metformina 2g ao dia e glibenclamida 10 mg ao dia. Relata que, nos últimos 30 dias, tem apresentado suores noturnos, acompanhados de fraqueza. Nega perda de peso. Relata realizar atividade física 03 x por semana. Relata estar se alimentando de carboidratos integrais. P= 60 kg; A= 1,67 cm. Exames laboratoriais: Glicemia de jejum: 76 mg/dl; Glicemia pós-prandial: 80 mg/dl/ HbA1c: 5.0%; Creatinina: 1,4mg/dl; Clearence de creatinina: 34ml/min. Sobre o exposto, assinale a alternativa com a conduta CORRETA.
Idoso com DM2, hipoglicemia e IRC (clearance < 60) → Suspender sulfonilureia, ajustar metformina, considerar inibidor de DPP4.
A paciente apresenta sintomas de hipoglicemia (suores, fraqueza) com controle glicêmico excelente (HbA1c 5.0%) e insuficiência renal crônica (clearance 34ml/min). A glibenclamida, uma sulfonilureia, tem alto risco de hipoglicemia e deve ser suspensa. A metformina precisa ter sua dose ajustada ou ser suspensa em IRC, e um inibidor de DPP4 é uma boa opção por ser seguro em idosos e com baixo risco de hipoglicemia.
O manejo do Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) em pacientes idosos, especialmente aqueles com comorbidades como insuficiência renal crônica (IRC), exige uma abordagem individualizada e cautelosa. O objetivo principal é evitar hipoglicemias, que podem ter consequências graves nessa população, mantendo um controle glicêmico razoável. A paciente do caso apresenta um quadro clássico de hipoglicemia induzida por medicação, exacerbada pela IRC. A glibenclamida, uma sulfonilureia de segunda geração, é conhecida por seu alto potencial de causar hipoglicemia, principalmente em idosos e em pacientes com função renal comprometida, pois sua eliminação é prolongada. Os sintomas de suores noturnos e fraqueza são altamente sugestivos de episódios hipoglicêmicos. Além disso, a metformina, embora seja a primeira linha de tratamento para DM2, deve ter sua dose ajustada ou ser suspensa em casos de IRC, com o risco de acidose láctica aumentando significativamente com a diminuição do clearance de creatinina. Diante desse cenário, a conduta correta envolve a suspensão da glibenclamida e a substituição por uma classe de medicamentos com menor risco de hipoglicemia, como os inibidores de DPP4 (gliptinas), que são seguros e eficazes em idosos e geralmente bem tolerados em IRC. Adicionalmente, a dose da metformina deve ser reduzida, conforme as diretrizes para pacientes com clearance de creatinina entre 30-45 ml/min. Essa abordagem visa otimizar o controle glicêmico, minimizando os riscos de hipoglicemia e outras complicações relacionadas à medicação.
A glibenclamida é uma sulfonilureia de longa ação com alto risco de hipoglicemia, especialmente em idosos e pacientes com insuficiência renal, como a paciente do caso. Seus sintomas são compatíveis com hipoglicemia.
A metformina é contraindicada se o clearance de creatinina for < 30 ml/min e a dose deve ser reduzida (geralmente para 1g/dia) se o clearance estiver entre 30-45 ml/min. No caso, com clearance de 34 ml/min, a dose de 2g/dia é excessiva e deve ser reduzida.
Inibidores de DPP4 (gliptinas) têm baixo risco de hipoglicemia, são bem tolerados em idosos e muitos não requerem ajuste de dose significativo em insuficiência renal leve a moderada, tornando-os uma alternativa segura e eficaz à glibenclamida.
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