Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023
Homem de 56 anos queixa-se de emagrecimento apesar de estar se alimentando muito bem. Relata polaciúria com micções de grande volume, porém nega disúria, algúria ou alteração do jato urinário. É obeso (IMC: 38,9kg/m³), tabagista, portador de HAS e insuficiência cardíaca isquêmica, em uso de enalapril 20 mg ao dia, AAS 100 mg ao dia e atorvastatina 40 mg ao dia. O exame físico não apresenta anormalidades. Exames de laboratório: glicemia de jejum 276 mg/dL; HgA1C 10,7%; creatinina 1,2 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta a prescrição inicial MAIS adequada nesse caso.
DM2 com HbA1c > 10% e sintomas (polaciúria, emagrecimento) → iniciar insulina + metformina.
Paciente com Diabetes Mellitus tipo 2, com glicemia de jejum muito elevada e HbA1c > 10%, além de sintomas clássicos de hiperglicemia (polaciúria, emagrecimento), indica descompensação grave. Nesses casos, a terapia inicial mais adequada é a combinação de insulina (para controle rápido da glicemia e alívio dos sintomas) e metformina (como base do tratamento oral, com benefícios cardiovasculares e renais).
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. A prevalência tem aumentado globalmente, e seu manejo adequado é crucial para prevenir complicações micro e macrovasculares. A apresentação clínica com polaciúria, emagrecimento e polidipsia, em um paciente obeso com comorbidades como HAS e insuficiência cardíaca, é clássica de DM2 descompensado. Os exames laboratoriais revelam uma glicemia de jejum de 276 mg/dL e uma HbA1c de 10,7%, indicando um controle glicêmico cronicamente inadequado e uma hiperglicemia significativa. Nesses casos de descompensação grave, especialmente com HbA1c acima de 10% e presença de sintomas catabólicos (perda de peso), a terapia inicial com insulina é imperativa para reduzir rapidamente a glicemia, aliviar os sintomas e prevenir toxicidade glicêmica. A metformina, por sua vez, é a medicação de primeira linha para a maioria dos pacientes com DM2, atuando principalmente na redução da produção hepática de glicose e no aumento da sensibilidade à insulina. Sua combinação com insulina é benéfica, pois permite um controle glicêmico mais robusto e pode reduzir a dose total de insulina necessária. A escolha da insulina NPH (ação intermediária) é comum para iniciar a insulinoterapia basal, complementando a ação da metformina. Outras classes de medicamentos podem ser adicionadas posteriormente, mas a combinação insulina + metformina é a mais adequada para o início do tratamento neste cenário de descompensação grave.
A insulina deve ser iniciada em pacientes com DM2 que apresentam hiperglicemia grave (glicemia > 300 mg/dL ou HbA1c > 10%), sintomas de descompensação (poliúria, polidipsia, perda de peso) ou falha da terapia oral máxima.
A metformina é a primeira linha de tratamento para DM2, a menos que contraindicada. Ela reduz a produção hepática de glicose e aumenta a sensibilidade à insulina, além de ter benefícios cardiovasculares e renais.
A insulina é necessária para um controle glicêmico rápido e alívio dos sintomas devido à descompensação grave, enquanto a metformina atua na fisiopatologia subjacente do DM2 e pode permitir doses menores de insulina a longo prazo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo