AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Valdir 56 anos, técnico em informática, hipertenso, obeso, sedentário, recebeu diagnóstico recente de diabetes mellitus. Trouxe exames na consulta inicial mostrando: glicemia de jejum de 131 mg/dL, hemoglobina glicada (HA1C): 8,0%, colesterol total: 221 mg/dL, triglicerídeos: 260 mg/dl e HDL-colesterol de 30 mg/dL. Além de ampliar a anamnese, realizar exame físico completo e prescrever plano terapêutico individualizado, seu plano de seguimento clinico para detectar ou evitar complicações crônicas será:
DM2 ao diagnóstico → Rastrear complicações microvasculares (rim, olho, nervo) imediatamente e anualmente.
No DM2, o rastreamento de complicações microvasculares deve ser iniciado no momento do diagnóstico, incluindo avaliação anual da função renal (TFG) e da albuminúria.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 vai além do controle glicêmico, focando na redução do risco cardiovascular e na prevenção de danos em órgãos-alvo. O caso clínico apresenta um paciente com múltiplos fatores de risco (obesidade, hipertensão, dislipidemia) e A1C elevada (8,0%), o que reforça a necessidade de vigilância rigorosa. A nefropatia diabética é uma das principais causas de terapia renal substitutiva no mundo. O rastreio anual com albuminúria e TFG permite intervenções precoces, como o uso de iSGLT2 e bloqueadores do sistema renina-angiotensina, que têm comprovado benefício na nefroproteção. Além do rim, o exame de fundo de olho e o teste de sensibilidade com monofilamento (pés) também devem ser anuais no DM2.
Diferente do Diabetes Tipo 1, que tem um início clínico abrupto, o Diabetes Tipo 2 possui um longo período de hiperglicemia assintomática antes do diagnóstico. Estima-se que, no momento em que o DM2 é detectado, o paciente já possa ter a doença há 5 ou 10 anos. Por isso, uma parcela significativa dos pacientes já apresenta retinopatia, neuropatia ou nefropatia na primeira consulta, exigindo rastreamento imediato.
O rastreamento baseia-se em dois exames anuais: a medida da albuminúria (preferencialmente em amostra isolada de urina para cálculo da relação albumina/creatinina - RAC) e a estimativa da Taxa de Filtração Glomerular (TFG) através da creatinina sérica. Valores de RAC > 30 mg/g ou TFG < 60 mL/min/1,73m² em duas medidas com intervalo de 3 meses confirmam a Doença Renal do Diabetes.
Para a maioria dos adultos não gestantes, a meta de Hemoglobina Glicada (A1C) é < 7,0%. No entanto, o tratamento deve ser individualizado. Em pacientes jovens e sem complicações, metas mais estritas (< 6,5%) podem ser buscadas. Já em idosos ou pacientes com múltiplas comorbidades e alto risco de hipoglicemia, metas mais flexíveis (7,5% a 8,0%) são aceitáveis para garantir a segurança.
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