SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2024
Leia o caso clínico a seguir.Paciente de 62 anos, do sexo masculino, procura o ambulatório médico queixando-se de formigamento nos pés, cansaço e astenia progressivos há quatro meses. Conta que está comendo mais que o habitual, mas está emagrecendo; que aumentou o número de vezes que urina, inclusive à noite, tendo que se levantar várias vezes para ir ao banheiro, mas acha que é por estar com muito mais sede, bebendo quase o dobro de água que ingeria antes. Desconhece doenças prévias. No exame físico, apresenta-se levemente desidratado e emagrecido, com hálito cetônico. Tem hipotonia muscular difusa leve, com reflexos tendinosos aquileus abolidos. As sensibilidades tátil e dolorosa estão reduzidas nos pés, até a altura dos tornozelos, simetricamente. Ele não apresenta outras alterações gerais ou neurológicas ao exameOs exames fundamentais para o diagnóstico desse paciente são:
Polidipsia, poliúria, polifagia, emagrecimento, hálito cetônico + neuropatia periférica → suspeitar de Diabetes Mellitus descompensado.
O quadro clínico sugere fortemente Diabetes Mellitus descompensado, possivelmente com cetoacidose incipiente (hálito cetônico) e complicações crônicas como neuropatia diabética. A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada confirmam o diagnóstico de diabetes, enquanto a eletroneuromiografia avalia a extensão da neuropatia.
O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia, resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambos. O caso clínico apresenta um quadro clássico de DM descompensado, com os "4 Ps" (polidipsia, poliúria, polifagia) e emagrecimento, além de sinais de complicação aguda (hálito cetônico, sugerindo cetoacidose) e crônica (neuropatia periférica). A fisiopatologia do DM tipo 2 envolve resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. A hiperglicemia crônica leva a danos microvasculares e macrovasculares, resultando em complicações como neuropatia, nefropatia, retinopatia e doença cardiovascular. A neuropatia diabética é uma complicação comum, manifestando-se como polineuropatia simétrica distal, afetando fibras sensoriais e motoras. O diagnóstico de DM é feito pela dosagem da glicemia de jejum e da hemoglobina glicada (HbA1c), que reflete o controle glicêmico dos últimos 2-3 meses. A eletroneuromiografia é fundamental para confirmar e quantificar a neuropatia. O tratamento do DM envolve controle glicêmico rigoroso, mudanças no estilo de vida e, frequentemente, medicação. O manejo da neuropatia diabética é sintomático e visa prevenir a progressão da doença e complicações como úlceras nos pés. O prognóstico depende do controle da glicemia e da prevenção de complicações. A identificação precoce e o manejo adequado são essenciais para melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbimortalidade associada ao diabetes.
Os critérios incluem glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos, teste oral de tolerância à glicose ≥ 200 mg/dL após 2 horas, ou hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6,5%.
A neuropatia diabética periférica tipicamente se manifesta com sintomas sensoriais como formigamento, dormência, dor em queimação e perda de sensibilidade (tátil, dolorosa, vibratória) em padrão de "luva e meia", além de fraqueza muscular e abolição de reflexos.
O hálito cetônico indica a presença de corpos cetônicos no sangue, o que pode ser um sinal de cetoacidose diabética, uma complicação grave do diabetes caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia.
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