Diabetes Tipo 1: Ajuste de Insulina NPH em Adolescentes

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Você avalia ambulatoriamente uma adolescente com 12 anos de idade, estatura de 151 cm (P50) e peso de 42 kg (P50), estágio de Tanner M3P2 e diagnóstico de diabete melito tipo 1 há 5 anos. Seu esquema de insulinização está demonstrado na tabela abaixo. Sua concentração atual de HbA 1 c é 8,9% e seu perfil glicêmico da última semana está demonstrado no gráfico abaixo. Com base nas metas glicêmicas e de HbA 1 c, qual é a conduta terapêutica mais indicada nessa consulta para essa paciente nesse momento?

Alternativas

  1. A) Reduzir a dose insulina NPH noturna.
  2. B) Aumentar a dose insulina NPH noturna.
  3. C) Aumentar a dose de insulina NPH e de insulina regular da manhã.
  4. D) Manter esse esquema de insulina e orientar importância da adesão ao tratamento.

Pérola Clínica

DM1 com HbA1c ↑ e hiperglicemia noturna/matinal → ↑ insulina NPH noturna.

Resumo-Chave

A HbA1c de 8,9% indica controle glicêmico inadequado. A insulina NPH noturna é responsável pelo controle da glicemia durante a madrugada e jejum. Se o perfil glicêmico mostra elevação nesses períodos, aumentar a dose noturna é a conduta mais indicada para otimizar o controle basal.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina. É a forma mais comum de diabetes na infância e adolescência, exigindo insulinoterapia contínua. O controle glicêmico adequado é crucial para prevenir complicações agudas e crônicas, sendo a HbA1c um marcador importante, com metas individualizadas para cada faixa etária. A insulinoterapia em DM1 visa mimetizar a secreção fisiológica de insulina, utilizando esquemas basal-bolus. A insulina NPH, uma insulina de ação intermediária, é frequentemente usada como insulina basal, especialmente à noite, para cobrir a demanda metabólica durante o sono e o período de jejum. O fenômeno do alvorecer, caracterizado pela elevação da glicemia matinal devido à liberação de hormônios contrarreguladores, é uma causa comum de hiperglicemia nesse período. A avaliação do perfil glicêmico é fundamental para o ajuste da insulinoterapia. Em casos de HbA1c elevada e hiperglicemia persistente, especialmente no período noturno e matinal, o aumento da dose de insulina basal (como a NPH noturna) é a conduta mais apropriada. É essencial diferenciar o fenômeno do alvorecer do efeito Somogyi, que exigiria a redução da insulina noturna. A educação do paciente e a adesão ao tratamento são pilares para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de controle glicêmico inadequado em DM1?

Sinais incluem HbA1c acima da meta para a idade, episódios frequentes de hipo/hiperglicemia, e variabilidade glicêmica elevada, impactando a qualidade de vida e risco de complicações.

Por que aumentar a insulina NPH noturna em caso de hiperglicemia matinal?

A insulina NPH noturna atua como insulina basal durante a madrugada. A hiperglicemia matinal, especialmente na ausência de hipoglicemia noturna, sugere dose insuficiente para cobrir o fenômeno do alvorecer ou a demanda basal.

Como diferenciar o fenômeno do alvorecer do efeito Somogyi?

O fenômeno do alvorecer é a elevação da glicemia matinal devido à liberação de hormônios contrarreguladores, sem hipoglicemia prévia. O efeito Somogyi é a hiperglicemia rebote após um episódio de hipoglicemia noturna não detectada. A monitorização contínua ou glicemias seriadas noturnas são cruciais para a diferenciação.

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