UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menino, 8a, tem história de polidipsia, polifagia, poliúria, emagrecimento, enurese e fadiga, tendo evoluído três semanas após com náuseas, dor abdominal, taquipneia e desidratação, quando foi diagnosticada cetoacidose diabética e internada em Unidade de Terapia Intensiva. Após compensação e estabilização do quadro, deverá iniciar o tratamento com insulina subcutânea. Qual o esquema terapêutico mais indicado?
DM1 em pediatria → Insulinoterapia intensiva (basal-bolus) é o padrão-ouro para controle glicêmico.
Após a estabilização da cetoacidose diabética, o tratamento de escolha para DM1 é o regime intensivo, mimetizando a secreção fisiológica com insulina basal e bolus prandiais.
O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) resulta da destruição autoimune das células beta pancreáticas, levando à deficiência absoluta de insulina. Na pediatria, a apresentação inicial como cetoacidose diabética (CAD) é frequente e requer manejo intensivo em UTI. Uma vez resolvida a cetose, o objetivo passa a ser o controle glicêmico rigoroso para evitar complicações crônicas. O estudo DCCT consolidou a terapia intensiva como superior aos esquemas convencionais. Atualmente, o uso de análogos de insulina (como Glargina para basal e Lispro/Aspart para bolus) ou sistemas de infusão contínua (bombas de insulina) são preferidos por oferecerem menor risco de hipoglicemia e maior flexibilidade no estilo de vida da criança e da família.
O regime de insulinoterapia intensiva é o padrão-ouro porque mimetiza a secreção fisiológica de insulina. Ele consiste no uso de uma insulina de ação prolongada (basal) para manter os níveis estáveis durante o jejum, associada a múltiplas doses de insulina de ação rápida (bolus) para cobrir a ingestão de carboidratos e corrigir hiperglicemias. Isso reduz drasticamente o risco de complicações microvasculares a longo prazo.
Geralmente, a dose total diária é dividida em 50% como insulina basal (NPH ou análogos de longa duração) e 50% como insulina bolus (Regular ou análogos de ação ultrarrápida), esta última fracionada antes das principais refeições. Em crianças, a dose total varia conforme a idade e o estágio puberal, sendo monitorada rigorosamente por glicemias capilares.
A transição para a via subcutânea ocorre quando o paciente está clinicamente estável, consciente, tolerando dieta oral e com a acidose resolvida (pH > 7,30 e bicarbonato > 15-18 mEq/L). É fundamental que a primeira dose de insulina subcutânea seja administrada 1 a 2 horas antes de desligar a infusão contínua de insulina venosa para evitar hiperglicemia de rebote.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo