Manejo do Diabetes com Falência Terapêutica e Perda Ponderal

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um homem com 34 anos de idade, sem antecedentes patológicos prévios, procurou ontem uma Unidade Básica de Saúde porque vem evoluindo nos últimos quatro meses com queixas de poliúria, polidipsia e perda ponderal de cerca de 7 kg nesse período. Há dois meses realizou exames complementares que evidenciaram glicemia de jejum de 348 mg/dL (Valor de referência = 75 - 99 mg/dL). Nega história de diabetes na família. Desde então, vem em uso de doses crescentes de metformina e glibenclamida, atualmente com 1.700 mg/dia e 10 mg/dia, respectivamente. As auscultas cardíaca e pulmonar são normais. Refere persistência dos sintomas e os exames complementares colhidos hoje revelaram: glicemia de jejum = 296 mg/dL, glicemia 2h após o café da manhã = 412 mg/dL, hemoglobina glicada 10,1% (Valor de referência= 3,8% - 6,4%). Ao exame físico o paciente mostra-se desidratado, corado, pressão arterial = 110 × 75 mmHg, circunferência abdominal = 92 cm, Índice de massa corporal - IMC = 23,3 kg/m², peso = 60 kg. Além de referenciar para o especialista, a conduta adequada para esse paciente é:

Alternativas

  1. A) Aumentar as doses de glibenclamida e de metformina, adicionar Insulina NPH antes de dormir.
  2. B) Manter as doses de glibenclamida e metformina, adicionar Insulina NPH antes do café da manhã e antes do jantar.
  3. C) Suspender glibenclamida e metformina, adicionar Insulina NPH antes do café da manhã e antes de dormir, bem como Insulina Regular antes das refeições.
  4. D) Suspender glibenclamida, manter metformina, adicionar Insulina NPH antes do café da manhã e antes do jantar, bem como Insulina Regular antes do café da manhã.

Pérola Clínica

Perda ponderal + Hiperglicemia grave + Falha de ADO em IMC normal → Insulinoterapia plena (Basal-Bolus).

Resumo-Chave

Pacientes com fenótipo de insulinodeficiência (baixo IMC, perda de peso, sintomas catabólicos) e falha rápida a antidiabéticos orais devem iniciar insulinização intensiva imediatamente.

Contexto Educacional

O caso clínico descreve um homem jovem com IMC normal e quadro clássico de insulinodeficiência. A persistência de sintomas e hiperglicemia grave (HbA1c 10,1%) sob dose otimizada de metformina e glibenclamida indica que o tratamento oral é insuficiente. Nestes cenários, a insulinização não deve ser postergada. A conduta de suspender a glibenclamida e iniciar um esquema intensivo (NPH basal + Regular prandial) é mandatória. A metformina pode ser mantida para auxiliar na sensibilidade periférica, mas a prioridade é a reposição de insulina. Este paciente provavelmente possui DM1 de início tardio ou LADA, e a monitorização frequente da glicemia capilar é essencial para o ajuste das doses e prevenção de hipoglicemia durante a fase de estabilização.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de DM1 ou LADA em adultos?

Deve-se suspeitar de Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) ou Diabetes Autoimune Latente do Adulto (LADA) em pacientes que apresentam: 1) Início de diabetes com sintomas catabólicos acentuados (poliúria, polidipsia, perda de peso significativa); 2) Índice de Massa Corporal (IMC) baixo ou normal (< 25 kg/m²); 3) Ausência de sinais de resistência insulínica (como acantose nigricans ou obesidade central acentuada); 4) Falha rápida na resposta a antidiabéticos orais, especialmente sulfonilureias. O LADA, especificamente, pode mimetizar o DM2 inicialmente, mas evolui para dependência de insulina em meses ou poucos anos devido à destruição autoimune das células beta.

Por que suspender a glibenclamida neste paciente?

A glibenclamida é uma sulfonilureia que atua estimulando a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas. Em um paciente com perda ponderal de 7 kg, glicemias persistentemente acima de 300 mg/dL e HbA1c de 10,1% apesar do uso de doses crescentes de ADOs, há uma clara evidência de falência da célula beta (insulinodeficiência). Manter ou aumentar a sulfonilureia é ineficaz, pois não há reserva insulínica para ser estimulada. Além disso, o uso de secretagogos em estados de deficiência grave de insulina pode exacerbar a descompensação metabólica e retardar o início do tratamento correto, que é a reposição exógena de insulina.

Qual a vantagem do esquema Basal-Bolus?

O esquema Basal-Bolus (NPH ou análogos de longa ação como basal, associados a Insulina Regular ou análogos rápidos antes das refeições como bolus) é o que mais se aproxima da fisiologia pancreática. A insulina basal controla a produção hepática de glicose durante o jejum e entre as refeições, enquanto a insulina bolus (prandial) lida com o pico glicêmico pós-prandial. Para pacientes com descompensação grave e sintomas catabólicos, este esquema é superior à insulinização simples (apenas basal), pois permite um controle glicêmico mais rigoroso e seguro, revertendo o estado catabólico e prevenindo complicações agudas como a cetoacidose.

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