HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023
Homem de 56 anos queixa-se de emagrecimento apesar de estar se alimentando muito bem. Relata polaciúria com micções de grande volume, porém nega disúria, algúria ou alteração do jato urinário. É obeso (IMC: 38,9kg/m²), tabagista, portador de HAS e insuficiência cardíaca isquêmica, em uso de enalapril 20mg ao dia, AAS 100mg ao dia e atorvastatina 40mg ao dia. O exame físico não apresenta anormalidades. Exames de laboratório: glicemia de jejum 276mg/dL; HgA1C 10,7%; creatinina 1,2mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta a prescrição inicial MAIS adequada nesse caso.
DM2 + IC + obesidade → Empagliflozina é a escolha inicial ideal devido a benefícios cardiorrenais.
Pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e comorbidades como insuficiência cardíaca e obesidade se beneficiam significativamente dos inibidores de SGLT2, como a empagliflozina, que demonstram redução de eventos cardiovasculares e progressão de doença renal, além do controle glicêmico.
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crônica de alta prevalência, caracterizada por hiperglicemia devido a defeitos na secreção e/ou ação da insulina. Sua importância clínica reside nas complicações micro e macrovasculares, que incluem doença cardiovascular aterosclerótica, insuficiência cardíaca, nefropatia e retinopatia, impactando significativamente a morbimortalidade. A fisiopatologia do DM2 envolve resistência à insulina, disfunção das células beta pancreáticas e aumento da produção hepática de glicose. O diagnóstico é feito por glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, ou teste de tolerância à glicose oral ≥ 200 mg/dL. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento) ou fatores de risco como obesidade, sedentarismo e histórico familiar. O tratamento do DM2 evoluiu para além do mero controle glicêmico, focando na proteção de órgãos. Em pacientes com comorbidades como insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, os inibidores de SGLT2 (como a empagliflozina) são a escolha inicial ou adição preferencial, devido aos seus comprovados benefícios cardiorrenais. A metformina continua sendo a primeira linha para a maioria, mas a individualização da terapia é crucial, considerando o perfil de risco do paciente e as evidências de proteção de órgãos.
A empagliflozina, um inibidor de SGLT2, oferece benefícios cardiovasculares e renais significativos, incluindo redução de hospitalizações por insuficiência cardíaca e progressão da doença renal crônica, além do controle glicêmico.
A metformina é a primeira linha para a maioria dos pacientes com DM2, mas em casos de comorbidades como insuficiência cardíaca ou doença renal crônica estabelecida, outras classes como os inibidores de SGLT2 podem ser preferíveis como terapia inicial ou adicionais.
Os inibidores de SGLT2 reduzem a reabsorção de glicose nos túbulos renais, aumentando sua excreção urinária. Seus mecanismos de proteção cardiovascular e renal são multifatoriais, incluindo efeitos hemodinâmicos, metabólicos e anti-inflamatórios.
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